A Energia Retorna como Força Geopolítica em 2026

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

No início desta década, havia um otimismo generalizado em relação às questões ambientais, sociais e de governança, além da meta de emissões líquidas zero. No entanto, em 2026, a energia ressurgiu como uma força central que molda o mundo, atuando tanto como uma arma geopolítica quanto como uma linha de falha econômica.

Nos primeiros meses deste ano, a evidência desse fenômeno se tornou inegável. O Irã utilizou táticas assimétricas para interromper o tráfego no Estreito de Ormuz, um ponto crítico para o petróleo, elevando os preços e abalando os mercados globalmente. Os Estados Unidos foram além das sanções tradicionais, intercedendo fisicamente nas remessas de petróleo da Venezuela, controlando não apenas as finanças, mas também o movimento de energia.

Em Cuba, as restrições dos EUA às importações de combustível geraram escassez, contribuindo para apagões generalizados e pressão política renovada. Em dezembro, a China impôs restrições adicionais à exportação de terras raras, utilizadas em tecnologias de defesa e energia, sinalizando sua disposição em usar sua posição dominante nas cadeias de suprimento de energia limpa como uma arma.

Esses eventos não são isolados, mas parte de uma mudança mais ampla: o retorno da energia como um instrumento central de competição geopolítica. O que é novo é que a energia está sendo utilizada para fins políticos de maneira mais abrangente, envolvendo mais atores e ferramentas do que nunca.

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A energia é a base da vida moderna, visível apenas quando falta. O artista Bad Bunny, durante o Super Bowl, dançou em cima de um poste de energia, destacando como os apagões frequentes devastaram Porto Rico. A energia sempre foi a espinha dorsal da prosperidade.

Além disso, a energia é um fator determinante para a liderança em tecnologias, especialmente inteligência artificial. O aumento dos preços da energia está gerando angústia entre os eleitores nos EUA, à medida que a demanda por eletricidade cresce. A utilização de energia continua sendo a principal causa das mudanças climáticas, mesmo que esse tema tenha perdido foco para muitos governos e empresas.

Apesar de sua centralidade nas preocupações econômicas, geopolíticas e ambientais, nas últimas décadas, especialmente nas economias avançadas, a energia foi considerada abundante e segura. Essa complacência foi compreensível, pois a revolução do xisto nos EUA aumentou dramaticamente a oferta de petróleo e gás, mantendo os preços globais relativamente estáveis.

Entretanto, a crise energética de 2022, desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, expôs a fragilidade dos sistemas energéticos desenvolvidos e lembrou aos formuladores de políticas que o acesso seguro à energia nunca é garantido. Desde então, uma combinação de tensões geopolíticas, aumento da demanda por eletricidade e crescimento lento na oferta de petróleo e gás dos EUA trouxe a energia de volta ao centro das atenções globais.

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