O Ministério Público do Paraná denunciou na quinta-feira (9) o estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 22 anos, pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, ocorrida após uma série de procedimentos estéticos em Curitiba.
Segundo a denúncia, em setembro de 2025, Erick alugou salas em um condomínio usando um documento falso e começou a oferecer tratamentos estéticos. Ele se apresentou à vítima como dentista e biomédico.
Durante o atendimento a Silvana, ele realizou procedimentos invasivos, incluindo lipoenxertia nos seios, que são restritos a médicos. A vítima pagou R$ 15 mil pelos procedimentos. Após relatar dores intensas, Erick apenas prescreveu antibióticos, quando a internação hospitalar era necessária, conforme o MP.
Silvana foi internada e submetida a uma cirurgia de mastectomia total, mas não resistiu à infecção e faleceu no hospital. A denúncia inclui homicídio doloso, qualificado por motivos torpes e falsidade ideológica, já que Erick se apresentou como acompanhante e inseriu informações falsas em documentos.
“”[O denunciado] agiu com dolo eventual ao causar a morte da vítima, pessoa idosa, já que, mesmo não possuindo qualquer formação médica, submeteu-a a procedimento estético privativo de profissional médico…””
O advogado de Erick, Eurípedes Cunha, classificou a denúncia como “prematura” e afirmou que o MP reconheceu a necessidade de perícias complementares.
Erick foi preso no dia 1º de abril por exercício ilegal da medicina, após denúncias de que continuava realizando procedimentos estéticos invasivos. Ele teria ameaçado uma testemunha que alertou outras pacientes sobre sua atuação.
Durante a prisão, a polícia apreendeu medicamentos, seringas com conteúdo desconhecido e materiais com sangue. Erick atendia pacientes em suas casas, sem condições adequadas de higiene.
O Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) informou que o suspeito não tinha registro profissional e que a atuação em Biomedicina Estética é privativa de profissionais habilitados. O conselho ressalta a importância de verificar o registro dos profissionais antes de qualquer procedimento estético.

