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Leitura: Estudo brasileiro revela novo mecanismo na doença de Alzheimer
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Saúde

Estudo brasileiro revela novo mecanismo na doença de Alzheimer

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de abril de 2026 15:00
Amanda Rocha
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Tempo: 2 min.
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Pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, identificaram um novo mecanismo relacionado à doença de Alzheimer. O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, sugere que o acúmulo das proteínas beta-amiloide e TAU não é suficiente para causar a demência por si só.

A pesquisa indica que a ativação desregulada das células de defesa do cérebro, conhecidas como microglia, é um fator crucial. Quando essas células são ativadas de forma inadequada, elas estimulam os astrócitos a adotarem um comportamento inflamatório, acelerando a progressão da doença.

Os cientistas acompanharam mais de 300 pessoas e descobriram que nem todos os indivíduos com placas de beta-amiloide desenvolveram demência, especialmente quando o sistema de defesa do cérebro se mantém sob controle. “Mostramos pela primeira vez, em humanos, que a comunicação desregulada entre as células de suporte e defesa do cérebro é determinante para o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, afirmou João Pedro Ferrari-Souza, primeiro autor do estudo.

O estudo também revelou que a inflamação atua como uma ponte entre as proteínas tóxicas e o dano cerebral definitivo. “Conseguir identificar esse processo por meio de exames de sangue e imagem nos permite antecipar o avanço da doença com muito mais precisão”, disse Wyllians Borelli, coordenador do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento.

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Os pesquisadores destacam que os resultados podem mudar a abordagem terapêutica. “Precisamos focar em terapias capazes de controlar a inflamação do cérebro, e não apenas na remoção das placas de beta-amiloide”, afirmou Zimmer, um dos especialistas envolvidos no estudo.

Atualmente, não existe uma terapia eficaz para modular a neuroinflamação. Zimmer explicou que a inflamação cerebral é diferente da inflamação no resto do corpo, envolvendo mecanismos específicos das células da glia. Tentativas anteriores de tratamento com anti-inflamatórios comuns não obtiveram sucesso.

O grupo de pesquisa agora investiga se hábitos de vida saudáveis, como alimentação e atividade física, podem influenciar a neuroinflamação. “Ainda não está claro se esse efeito se reflete na inflamação do cérebro”, concluiu.

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