Pesquisadores brasileiros descobriram que a quantidade de DNA presente no suco gástrico pode auxiliar na identificação de tumores e fornecer informações sobre a evolução do câncer de estômago. O estudo foi publicado em 13 de abril de 2026.
A pesquisa liderada pelo cirurgião oncológico Felipe Coimbra, do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center, sugere que o líquido aspirado durante a endoscopia pode ser utilizado para melhorar a precisão do diagnóstico, sem substituir a biópsia, que é considerada o padrão-ouro.
O exame analisa a quantidade de material genético humano “solto” no líquido do estômago, um indicativo do que ocorre naquele tecido. O teste se baseia no princípio de que tecidos doentes liberam mais fragmentos de DNA no ambiente ao redor, especialmente em casos de câncer gástrico, onde o tumor provoca destruição celular e ativa uma resposta inflamatória intensa.
Coimbra explica que o DNA no suco gástrico não é proveniente apenas das células tumorais, mas também de células inflamatórias e do sistema imunológico que atuam contra o tumor. Isso significa que o marcador não é um “teste direto de câncer”, mas um indicativo de anormalidades na mucosa do estômago.
Durante a endoscopia digestiva alta, o médico já aspira o líquido do estômago para melhorar a visualização da mucosa, e atualmente esse material é descartado. A proposta é aproveitar esse líquido para análise, sem necessidade de novos procedimentos, o que não aumenta o tempo ou risco para o paciente.
O método pode ser especialmente útil quando a biópsia é inconclusiva ou quando o material coletado é insuficiente. Ao reunir material de diferentes áreas do estômago, o líquido funciona como uma “amostra ampliada”, aumentando as chances de detectar casos suspeitos já na primeira endoscopia.
Apesar do potencial, os pesquisadores alertam que o desempenho do diagnóstico ainda é moderado, o que impede seu uso isolado. O DNA no suco gástrico pode ser elevado em outras condições, como inflamações e gastrite, gerando risco de falso positivo. Portanto, a interpretação deve ser feita em conjunto com outros dados clínicos.
Além do diagnóstico, o estudo revelou que níveis mais altos de DNA no suco gástrico estão associados a uma melhor evolução da doença em alguns pacientes, o que sugere uma resposta imunológica mais ativa contra o tumor. Contudo, o método ainda precisa ser validado em populações maiores e requer acompanhamento ao longo do tempo.
Se confirmado em estudos futuros, a técnica pode transformar a endoscopia em um exame mais completo, incluindo uma análise molecular simples, ajudando a detectar cânceres que poderiam passar despercebidos.

