Estudo revela que desigualdade de gênero entre pais impacta saúde mental dos filhos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) indica que a desigualdade de gênero entre pais e mães afeta a saúde mental dos filhos. Os resultados foram divulgados na revista Cambridge Prism: Global Mental Health.

A pesquisa analisou 2.852 jovens da coorte de nascimentos de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, acompanhados desde 1993 até completarem 18 anos. Os pesquisadores criaram o Índice de Desigualdade de Gênero do Casal (IDGC), que considera três dimensões: nível de escolaridade, renda e autonomia reprodutiva da mãe.

Os dados mostram que jovens que cresceram em famílias mais igualitárias tiveram, aos 18 anos, 1,5 ano a mais de estudo, melhor qualidade de vida, com cerca de 10 pontos acima na escala da OMS, e 36% menor risco de depressão. Esses resultados foram observados tanto em meninas quanto em meninos, evidenciando que práticas mais justas no lar beneficiam todos os filhos.

O levantamento revelou que 5,9% dos jovens avaliados apresentaram critérios para depressão aos 18 anos, com maior prevalência entre aqueles expostos a desigualdades significativas entre pai e mãe durante a infância e adolescência. A psiquiatra e pesquisadora Clarissa Severino Gama destacou que os benefícios da igualdade de gênero vão além da justiça social:

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“”Quando falamos de igualdade de gênero neste estudo, não estamos falando apenas de justiça social, mas também de educação, saúde mental e do futuro das crianças”.”

A amostra estudada revelou que 62,9% dos casais tinham o mesmo nível de escolaridade ou as mulheres estudaram mais; apenas 4,9% tinham renda igual ou maior para as mães; e 69,7% das mulheres foram mães após os 20 anos, realizando mais de oito consultas pré-natais. A análise concluiu que quanto maior o equilíbrio entre pai e mãe, maior a chance de os filhos alcançarem mais anos de estudo e preservarem a saúde mental na transição para a vida adulta.

Ambientes com maior disparidade foram associados a níveis mais altos de depressão, especialmente quando o IDGC era mais baixo.

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