Um estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) concluiu que a ampliação do Bolsa Família em 2012 esteve associada ao aumento do emprego e à melhora de indicadores de saúde entre famílias em extrema pobreza no Brasil.
Os autores do estudo, Michael C. Best, da Columbia University, Felipe Lobel, de Stanford, e Valdemar Pinho Neto, da Fundação Getúlio Vargas, publicaram o paper intitulado “Cash Transfers and Productive Inclusion: Evidence from Bolsa Família”. A pesquisa aponta que o aumento das transferências para essas famílias esteve associado a uma alta de 5% no emprego, uma queda de 8% nas internações e uma redução de 14% na mortalidade, o que equivale a mil vidas salvas.
Michael C. Best é professor de economia com PhD pela London School of Economics, com foco em economia do desenvolvimento e economia pública. Felipe Lobel é pós-doutor na Graduate School of Business e no Stanford Institute for Economic Policy Research, estudando a interação entre comportamento das empresas e políticas públicas. Valdemar Pinho Neto é professor graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará, com mestrado e doutorado pela FGV.
O estudo argumenta que, em contextos de pobreza extrema, a transferência de renda não desestimula o trabalho; ao contrário, pode aliviar restrições básicas de saúde e subsistência, elevando a produtividade e a participação no mercado de trabalho.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram uma estratégia de diferenças-em-diferenças, comparando famílias abaixo da linha de extrema pobreza com outras logo acima desse limite, antes e depois da reforma de 2012. A análise foi baseada no cruzamento de bases administrativas do Cadastro Único, da folha de pagamentos do Bolsa Família, da RAIS e dos registros hospitalares do SUS, abrangendo cerca de 80 milhões de pessoas por ano e mais de 1 bilhão de observações ao longo do período estudado.
O paper sustenta que, quando as necessidades básicas não estão atendidas, a renda adicional pode funcionar menos como simples redistribuição e mais como condição para restaurar a capacidade laboral, reduzir adoecimento e ampliar a produtividade. Nesse contexto, parte do custo fiscal do programa seria compensada pela redução de despesas em saúde pública e pelo aumento da arrecadação associada à maior inserção no mercado de trabalho.
Os autores estimam que, considerando apenas os ganhos no mercado de trabalho, cada dólar adicional de gasto líquido geraria US$ 3,9 em valor para os beneficiários. Quando incorporam os efeitos em saúde, afirmam que as economias com despesas públicas médicas superariam o custo direto da expansão, levando a um valor social “infinito” para a política.

