Os Estados Unidos anunciaram a realização de uma segunda rodada de negociações entre o Líbano e Israel, conforme confirmou o Departamento de Estado americano nesta segunda-feira, 20 de abril. As conversas estão agendadas para ocorrer no Pentágono na próxima quinta-feira, 23 de abril, data que marca o fim de um frágil cessar-fogo entre as forças israelenses e o Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã.
Um porta-voz do Departamento de Estado declarou: “Os Estados Unidos celebram o engajamento produtivo que começou em 14 de abril”, referindo-se às tratativas da semana passada entre os embaixadores do Líbano e Israel em Washington. “Continuaremos a facilitar discussões diretas e de boa-fé entre os dois governos.”
Na semana passada, autoridades libanesas e israelenses realizaram conversas diretas pela primeira vez em mais de três décadas, mediadas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. A iniciativa gerou descontentamento no Hezbollah, que se sentiu excluído do processo, apesar de sua influência no Líbano.
O presidente libanês, Joseph Aoun, reafirmou na sexta-feira que Beirute seguirá com as negociações com Tel Aviv. “Estas negociações não são uma fraqueza. Não são uma capitulação. Não são uma concessão”, afirmou Aoun em pronunciamento televisionado. “São uma decisão que nasce da força da nossa crença nos nossos direitos e na nossa preocupação com o nosso povo, e da nossa responsabilidade de proteger o nosso país por todos os meios possíveis.”
O Hezbollah, por sua vez, criticou as negociações, descrevendo-as como parte de uma série de “concessões perdedoras” do governo libanês ao israelense. O líder do grupo, Naim Qassem, declarou: “Rejeitamos as negociações com a entidade israelense ocupante. Essas negociações são fúteis.” Ele acrescentou que “ninguém tem o direito de levar o Líbano nessa direção sem um consenso interno entre os seus componentes, o que não aconteceu.”
A abertura das negociações ocorreu após uma onda massiva de ataques aéreos israelenses no Líbano, que resultou na morte de mais de 300 pessoas, incluindo médicos, mulheres e crianças. Desde o início do conflito em 2 de março, mais de 2.200 vidas foram perdidas, após o Hezbollah disparar foguetes contra Israel em apoio a Teerã.
Na última sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que “proibiu” Israel de atacar o Líbano, mas, apesar do cessar-fogo, o Estado judaico continuou a atacar áreas próximas à fronteira. O Exército israelense anunciou ter eliminado “terroristas” na província de Bint Jbeil. O Hezbollah, por sua vez, informou ter detonado um explosivo contra um comboio militar perto de Deir Siriane.
Aoun prometeu que seu governo trabalhará pela retirada completa das forças israelenses do Líbano, sem sacrificar nenhuma parte do território. Ele também argumentou que o Líbano deve ser separado das negociações mais amplas entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, sustentando que somente Beirute pode definir seu futuro. O Irã, que vê no Hezbollah um aliado estratégico, pressiona para que essa frente de guerra no Oriente Médio seja incluída em um acordo de paz.
Quando Trump anunciou o cessar-fogo em 16 de abril, ele mencionou que receberia Aoun e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. “Ambos os lados querem ver a PAZ, e acredito que isso acontecerá rapidamente!”, disse o presidente americano.


