O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, gravações de navios de guerra americanos que apoiam o bloqueio naval imposto por Donald Trump no Estreito de Ormuz.
O áudio mostra soldados americanos dando ordens para embarcações “darem meia-volta” e para se prepararem para ser “abordadas”. “Se não cumprir este bloqueio, usaremos a força”, alertam os militares.
““U.S. naval vessels are on patrol in the Gulf of Oman as CENTCOM continues to execute a U.S. blockade on ships entering and departing Iranian ports.””
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial, onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos pelo mundo. Desde o início da guerra, o Irã efetivamente fechou a passagem como retaliação aos ataques que sofreu dos Estados Unidos e Israel, reduzindo o fluxo de navios de 130 para seis por dia.
A passagem deveria ser aberta mediante uma trégua acordada em 8 de abril, que vigora até 21 de abril, mas permaneceu trancada devido a desacordos sobre os termos, especialmente em relação aos bombardeios israelenses contra o Líbano.
A primeira rodada de negociações durante o cessar-fogo, realizada no último sábado, terminou sem acordo, levando o presidente Trump a anunciar o bloqueio naval na região.
A divulgação dos áudios pelo Centcom ocorre dois dias após o início do cerco, que começou a barrar navios do Irã e qualquer embarcação saindo ou chegando a portos iranianos. Para isso, foram despachados 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros.
Com essa medida, os Estados Unidos pretendem pressionar o setor de petróleo iraniano, que é um pilar da economia do país, e encerrar os pagamentos do chamado “pedágio de Teerã”, que permitia a travessia de navios por cerca de US$ 2 milhões.
Apesar da guerra, a República Islâmica manteve uma média de exportações de petróleo de cerca de 1,6 milhão de barris diários, arrecadando US$ 140 milhões por dia em março, um aumento de 20% em relação ao mês anterior. No entanto, com o bloqueio, a produção pode ser reduzida já em maio, segundo a analista Vortexa.
Na quarta-feira, o Centcom informou que nove embarcações tiveram que retornar a um porto ou a uma área costeira do Irã durante as primeiras 48 horas do bloqueio. Apesar disso, o regime iraniano afirmou que está utilizando portos alternativos e que dois de seus navios conseguiram furar a barreira e atravessar Ormuz.
A Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou retaliar o que considera um “ato de pirataria”, mirando portos da região e outras rotas, como o Mar Vermelho.
Apesar das tensões, a Casa Branca anunciou que há conversas sobre uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão, mediador das tratativas. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, expressou otimismo quanto à possibilidade de um acordo.
““Essas discussões estão em andamento e estamos confiantes quanto às perspectivas de um acordo.””
Autoridades americanas e iranianas também consideram a possibilidade de estender a trégua por mais duas semanas, buscando mais tempo para tratar dos principais obstáculos para uma paz duradoura.

