O governo dos Estados Unidos comunicou ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que pretende classificar os grupos criminosos Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A informação foi repassada por autoridades que se reuniram com Galípolo e deve avançar apesar da resistência da administração de Luiz Inácio Lula da Silva, que desaprova a medida.
De acordo com informações divulgadas pela coluna Paulo Capelli, o Departamento de Estado dos EUA avalia que essa classificação ajudará a asfixiar financeiramente as organizações, que movimentam grandes somas de dinheiro ilícito. A comunicação antecipada é vista como uma “deferência” ao Brasil, uma vez que países onde grupos criminosos receberam essa designação, como o México, não foram previamente avisados.
O governo dos Estados Unidos está considerando a possibilidade de designar o CV e o PCC como organizações criminosas. O New York Times informou que a questão é influenciada pela pressão dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A administração do presidente Donald Trump ainda não tomou uma decisão, mas mantém as organizações sob observação por representarem “ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência do Brasil, e seu irmão Eduardo Bolsonaro estão fazendo lobby pelo tema, que pode ser crucial nas eleições deste ano. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, Washington tem alterado sua abordagem em relação a organizações criminosas na América Latina, defendendo a classificação de grupos ligados ao tráfico de drogas como “narcoterroristas”.
Facções como o Cartel de Sinaloa, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela, foram classificadas como organizações terroristas estrangeiras (FTOs), a mesma tipificação que recebem grupos extremistas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Essa mudança de status permite que o Departamento do Tesouro atue de forma mais rigorosa contra essas entidades, possibilitando o congelamento de ativos em solo americano e criando barreiras contra o uso do sistema bancário global.
Entretanto, essa medida gera uma vulnerabilidade jurídica que preocupa Brasília. O Palácio do Planalto adotou uma posição contrária, acreditando que o novo status pode abrir caminho para ações militares unilaterais dos Estados Unidos no Brasil. Esses temores são respaldados por ações anteriores da administração Trump, que promoveu bombardeios contra embarcações ao longo da costa da América do Sul sob a justificativa de combate ao narcoterrorismo.
Em março, o New York Times já havia levantado a possibilidade da mudança de designação, influenciada por contatos da família Bolsonaro com interlocutores da Casa Branca. Pesquisas de opinião indicam que a segurança pública é um dos temas mais importantes para os eleitores brasileiros, e a classificação das duas maiores organizações criminosas do país como terroristas poderia impulsionar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.


