Os Estados Unidos anunciaram a criação de uma zona industrial de alta tecnologia nas Filipinas, com o objetivo de reduzir a dependência global da China nas cadeias de suprimentos estratégicas.
O projeto, firmado entre Washington e Manila, prevê a instalação de um polo industrial avançado na ilha de Luzon, focado em inteligência artificial, manufatura automatizada e processamento de minerais essenciais para a indústria tecnológica.
A área, que ocupa cerca de 4.000 acres, será administrada pelos EUA como uma zona econômica especial, operando sob legislação americana e com proteções semelhantes às de uma embaixada. O acordo inicial prevê o uso gratuito da área por dois anos, com possibilidade de renovação por até 99 anos.
A proposta ainda está em fase inicial, e empresas interessadas deverão apresentar projetos para participar da construção e operação do polo.
O plano responde à dependência global de insumos controlados pela China, que domina cerca de 90% do processamento de terras raras e grande parte da produção de baterias de íon-lítio. Com a nova base nas Filipinas, os EUA buscam acesso a reservas de níquel, cobre, cobalto e cromita, minerais fundamentais para semicondutores, baterias e tecnologias de energia limpa.
O novo polo deve abrigar fábricas altamente automatizadas, operando com sistemas autônomos e inteligência artificial, atendendo tanto à indústria civil quanto a setores estratégicos, como defesa e infraestrutura crítica.
Além do componente econômico, o acordo reforça a aliança entre Estados Unidos e Filipinas em uma região marcada por tensões crescentes, especialmente com a intensificação da presença militar da China no Mar do Sul da China.
O projeto se insere em uma reorganização mais ampla da economia global, com empresas e governos buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos de concentração. No entanto, o projeto enfrenta desafios, como custos elevados de energia e gargalos logísticos nas Filipinas, que podem limitar a competitividade do polo.
A criação da zona industrial representa mais um capítulo na disputa entre Estados Unidos e China pela liderança tecnológica global, refletindo uma mudança estrutural nas cadeias de suprimentos, que agora são tratadas como ativos estratégicos centrais na geopolítica do século 21.

