Orlando dos Anjos Silva, ex-preso político de 92 anos, relembra sua prisão e a tortura psicológica que sofreu em 1964, na Ilha de Cotijuba, localizada a 22 km de Belém. Ele foi preso em sua casa, no bairro de São Brás, na presença de sua esposa grávida e de seus quatro filhos.
Na época, Orlando tinha 30 anos e ficou mais de 30 dias trancado em uma cela, acusado de ‘subversão’ pelo regime militar. ‘No meu caso, nunca me tocaram, mas a tortura psicológica, essa acontecia. A gente não sabia o que ia acontecer’, recorda.
Em abril de 2026, completam-se 62 anos do golpe militar no Brasil. Orlando, que recebeu reparação econômica e foi declarado anistiado político em 12 de maio de 2015, vive com as marcas desse passado. A Ilha de Cotijuba, que antes era conhecida como ‘Ilha do Diabo’, agora se tornou um destino turístico.
Pesquisadores afirmam que, mesmo com a mudança de nome, a estrutura de repressão e tortura na ilha foi intensificada durante a ditadura militar. Orlando foi levado à ilha após ser preso em sua casa, onde a polícia revirou tudo em busca de armas, mas encontrou apenas livros, que foram confiscados.
Ele foi levado para o Batalhão da Polícia Militar e, posteriormente, para uma embarcação que o levou à ilha-presídio. ‘Fiquei com medo, porque eu não sabia o que ia acontecer. Ninguém sabia nada’, diz Orlando sobre sua chegada à ilha.
Durante sua prisão, Orlando foi levado a Belém para prestar depoimentos em um dos principais locais de interrogatório da época. Ele ficou sob custódia da ditadura e foi alvo de cinco Inquéritos Policiais Militares. Após ser solto, teve seu emprego nos Correios cassado pelo Ato Institucional nº 1, que permitia a repressão a opositores políticos.
Orlando, que trabalhou para dois de seus antigos professores após a prisão, recebeu uma indenização de R$ 100 mil e pensão mensal pela demissão ilegal. Ele afirma: ‘Eu soube conduzir minha vida. Não fui arrastado pelo que aconteceu’.
A história da Ilha de Cotijuba, que começou como uma colônia reformatória em 1930, passou por diversas transformações até se tornar um presídio durante a ditadura militar, onde muitos, como Orlando, sofreram repressão e tortura.

