Mais de 25 famílias indígenas Avá-Guarani, que atualmente vivem em uma área de nove hectares em condições precárias, serão reassentadas em uma fazenda de 107 hectares no Oeste do Paraná. A nova área, adquirida pela Itaipu Binacional, deve receber cerca de 90 pessoas nos próximos dois meses.
A Fazenda América, onde as famílias serão reassentadas, foi comprada por R$ 17,6 milhões e está localizada entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a aproximadamente 120 quilômetros de Foz do Iguaçu. A área passará a se chamar Tekoha Pyahu.
A compra faz parte de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2025, que visa reparar os danos causados pela construção da usina na década de 1970, quando terras tradicionais dos Avá-Guarani foram alagadas.
De acordo com a Itaipu, mais de 20% dos 3 mil hectares previstos no acordo de reparação já foram adquiridos. Atualmente, as famílias vivem em uma faixa de proteção do reservatório da usina, em um espaço reduzido e com estrutura limitada.
O cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu, afirmou:
“”A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, com escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá.””
Ele também classificou o processo como insuficiente diante do histórico de violações.
O acordo que permite a compra de terras foi firmado entre a Itaipu, comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O investimento inicial é de R$ 240 milhões, com mais de 700 hectares já comprados até o momento.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, afirmou:
“”Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população.””
O acordo também prevê ações de restauração ambiental e financiamento de serviços essenciais, como água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação.
Além da compra das terras, a Itaipu desenvolve projetos voltados ao fortalecimento da cultura indígena, incluindo iniciativas de educação e preservação do idioma. A região enfrenta conflitos históricos entre indígenas e agricultores, com pressão do agronegócio sobre terras indígenas.


