O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou nesta semana a segunda fase de pagamentos aos clientes do Will Bank, instituição liquidada pelo Banco Central do Brasil em janeiro de 2026.
A nova etapa contempla correntistas com valores entre R$ 1.000 e R$ 250 mil, respeitando o limite de cobertura previsto pelas regras do fundo. A expectativa é que cerca de 312 mil pessoas sejam ressarcidas, totalizando R$ 6,06 bilhões.
Para receber, os clientes devem solicitar o resgate por meio do aplicativo oficial do FGC, enviando documentos e realizando a validação cadastral.
A liberação atual sucede uma primeira rodada iniciada em fevereiro, voltada a clientes com até R$ 1.000 a receber. Segundo o FGC, mais de um milhão de pessoas já foram atendidas nessa etapa inicial, com pagamentos que totalizam R$ 126 milhões, o que representa cerca de 70% do valor previsto para esse grupo, majoritariamente formado por pequenos correntistas.
O ritmo de devolução é acompanhado de perto pelo mercado, já que o caso do Will Bank se tornou um dos maiores episódios recentes envolvendo bancos digitais no país.
O FGC foi criado para proteger depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras, garantindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, dependendo da data da aplicação. No caso do Will Bank, a regra varia conforme o momento do investimento.
Aplicações realizadas até 31 de agosto de 2024 mantêm o limite individual por banco. Já aportes feitos a partir de setembro daquele ano passam a compartilhar o teto dentro do mesmo grupo econômico.
O Will Bank integra o conglomerado liderado pelo Banco Master, o que impacta diretamente o cálculo dos valores a serem devolvidos. Clientes que já atingiram o limite de R$ 250 mil em outras instituições do grupo, como o Banco Master ou o Master de Investimento, não terão novos valores a receber nesta etapa.
De acordo com dados do FGC, o fundo já desembolsou cerca de R$ 39,3 bilhões para clientes ligados ao grupo, representando quase 97% do total previsto. Aproximadamente 669 mil credores foram atendidos desde o início do processo.
Além do Will Bank, o FGC também atualizou os pagamentos relacionados ao Banco Pleno, cuja liquidação levou à liberação de R$ 3,61 bilhões desde março, beneficiando mais de 107 mil clientes.
A sequência de intervenções e ressarcimentos reacende o debate sobre a solidez de instituições financeiras menores e o crescimento acelerado de bancos digitais no Brasil. Especialistas apontam que, embora o FGC funcione como uma rede de proteção relevante, episódios como esse tendem a abalar a confiança do consumidor e pressionar por maior rigor regulatório.
Com a liberação dos recursos, o FGC reforçou o alerta para tentativas de fraude. Segundo o órgão, não há contato ativo com clientes por telefone ou redes sociais para solicitação de dados pessoais, senhas ou códigos de verificação.
O fundo também afirma que não existem intermediários autorizados a agilizar pagamentos e que não há cobrança de taxas para liberação dos valores. A orientação é que todo o processo seja feito exclusivamente pelos canais oficiais.
A liquidação do Will Bank e o volume bilionário de pagamentos colocam em evidência tanto a importância do FGC quanto os riscos associados à concentração em determinados conglomerados financeiros. Em um cenário de expansão do crédito digital e maior competição bancária, o episódio tende a reforçar a necessidade de transparência, educação financeira e supervisão mais rigorosa por parte das autoridades.

