A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, não irá substituir a seleção do Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026. A informação foi confirmada por fontes da organização nesta quinta-feira, 23, à emissora britânica BBC.
A declaração segue a revelação de planos apresentados pelo enviado especial americano, Paolo Zampolli, que sugeriu a troca ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. O jornal Financial Times informou que Zampolli apresentou a proposta, mesmo com a Itália não tendo se classificado para a Copa deste ano.
Conforme as fontes ouvidas pela BBC, qualquer substituição só seria considerada se o Irã desistisse da competição. A participação do Irã na Copa, que será parcialmente sediada nos EUA, gera preocupação entre autoridades devido à guerra entre os dois países, iniciada por ataques americanos e israelenses ao território iraniano em 28 de fevereiro.
No momento, Estados Unidos e Irã mantêm uma frágil trégua, que foi estendida no início da semana, apesar de bloqueios e trocas de acusações. No início do conflito no Oriente Médio, o Irã chegou a mencionar um “boicote” à Copa e pediu à Fifa que transferisse seus jogos dos Estados Unidos para o México, solicitação que foi rejeitada pela entidade.
Na semana passada, Gianni Infantino afirmou que não tinha “dúvidas” sobre a participação do Irã. “Esperamos que, nesse momento [o início da Copa, em 11 de junho], a situação seja uma situação pacífica, o que realmente ajudaria”, disse. Ele acrescentou: “Mas o Irã tem de vir, representa o seu povo, se classificou e os jogadores querem jogar”.
A inclusão da seleção italiana poderia ser justificada pelo seu peso histórico no esporte e por um simbolismo especial. “Seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos Estados Unidos”, afirmou uma fonte ao Financial Times.
A proposta é vista como um movimento político, com o objetivo de reaproximar o ex-presidente Donald Trump da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, após tensões recentes nas relações. O episódio foi agravado por declarações de Trump envolvendo o papa Leão XIV e por tensões geopolíticas relacionadas ao Irã.
Apesar da repercussão, a sugestão enfrenta obstáculos significativos. As regras da Fifa são rígidas quanto à classificação para a Copa do Mundo, e não há precedentes recentes de substituições por critérios políticos ou simbólicos. Nem a Federação Italiana de Futebol, nem a federação iraniana, tampouco a própria Fifa comentaram oficialmente sobre o tema.
A Itália, que possui quatro títulos mundiais, vive um momento incomum, pois ficou fora da Copa pela terceira vez consecutiva, após derrota na repescagem para a Bósnia e Herzegovina. A simples hipótese de sua inclusão fora de campo evidencia como o futebol está entrelaçado a interesses políticos e diplomáticos, mesmo quando os resultados já foram definidos dentro de campo.


