Uma das filhas de Diego Maradona, Gianinna Maradona, afirmou nesta terça-feira, 21, em tribunal na Argentina, que a família foi alvo de uma ‘manipulação total e horrível’ por parte da equipe médica responsável pelo tratamento do ex-jogador nos dias que antecederam sua morte, em 2020.
A declaração foi feita durante o novo julgamento sobre a atuação de sete profissionais de saúde acusados de negligência potencialmente fatal no acompanhamento de Maradona. A audiência ocorreu em San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires.
Gianinna disse ter confiado nas orientações médicas, mas afirmou que a família foi induzida a decisões que hoje considera equivocadas.
“‘A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota'”
, declarou.
Ela citou diretamente três dos réus: o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Ángel Díaz.
“‘Eu confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô'”
, afirmou.
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma crise cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar. Ele estava em uma casa alugada, onde se recuperava de uma cirurgia neurológica considerada bem-sucedida.
Gianinna relatou que a decisão de manter o pai em internação domiciliar foi recomendada pela equipe médica.
“‘Naquele momento, parecia a melhor opção. Hoje, ouvindo os áudios, não consigo imaginar que não houvesse outra alternativa'”
, disse.
Ela também mencionou que, nos dias anteriores à morte, o ex-jogador foi mantido isolado por orientação do psicólogo, sob o argumento de evitar sobrecarga emocional. Após o falecimento, segundo a filha, houve tentativas de transferir a responsabilidade à família.
“‘Ouvi que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico'”
, afirmou.
O julgamento atual foi retomado após a anulação do processo anterior, em maio de 2025, quando veio à tona a participação da juíza Julieta Makintach em um documentário não autorizado sobre o caso, em violação às normas judiciais. A magistrada deixou o cargo após a divulgação de imagens em que aparecia sendo entrevistada dentro do tribunal.
Ao todo, sete profissionais de saúde são réus no processo: além de Luque, Cosachov e Díaz, respondem a médica Nancy Edith Forlini, o enfermeiro Ricardo Almirón, o enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni e o médico Pedro Pablo Di Spagna. Se condenados, eles podem cumprir penas que variam de 8 a 25 anos de prisão.
As acusações se baseiam, em parte, em um relatório de uma junta médica independente, que concluiu que a equipe responsável pelo tratamento de Maradona atuou de forma ‘inadequada, deficiente e imprudente’. No julgamento anterior, os promotores descreveram o local onde o ex-jogador se recuperava como um ‘teatro de horror’, alegando que os cuidados necessários não foram prestados. A defesa sustenta que a morte era inevitável, diante do histórico de saúde do ex-atleta, marcado por problemas cardíacos e anos de dependência de álcool e drogas.


