A União Europeia e a ONU divulgaram um relatório que revela que a fome aguda dobrou em todo o planeta na última década. Em 2025, cerca de 266 milhões de pessoas enfrentaram fome aguda em 47 países e territórios.
Desse total, 1,4 milhão viveu em condições extremas, em regiões como Haiti, Sudão e Iêmen. A fome aguda é caracterizada pela falta de alimentos tão grave que ameaça a vida, exigindo ação humanitária urgente.
O relatório também aponta que o financiamento para programas humanitários caiu quase 40% em um ano. Pela primeira vez, foram declaradas duas situações de fome generalizada no mesmo ano: na Faixa de Gaza e no Sudão.
O Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026 é resultado do trabalho de 18 entidades, incluindo o Banco Mundial, a União Europeia e a ONU. O documento indica que conflitos e seca devem agravar a situação nos países mais vulneráveis.
As crianças estão entre as mais afetadas. Em 2025, mais de 35 milhões sofreram desnutrição aguda, e quase 10 milhões em estado grave. Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, afirmou que a fome não é mais um problema isolado e já compromete a estabilidade global.
Na África, conflitos armados e a alta dos preços fazem parte da rotina de milhões de pessoas, incluindo 4 milhões de nigerianos. No leste da África, a falta de chuva agrava a crise em países como Somália e Quênia.
O relatório alerta que a guerra no Oriente Médio coloca em risco os fluxos de energia e de fertilizantes, especialmente em rotas como o Estreito de Ormuz. Isso eleva os custos de produção e transporte, o que pode provocar uma nova alta no preço dos alimentos em escala mundial.

