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Ciência

Fóssil de 300 milhões de anos não é o polvo mais antigo, revela estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de abril de 2026 03:34
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Cientistas reescreveram a história de um fóssil de 300 milhões de anos, que não pertence ao polvo mais antigo do mundo, como se pensava anteriormente. O fóssil, chamado Pohlsepia mazonensis, é na verdade um animal relacionado ao náutilo moderno, com tentáculos e uma concha externa, conforme estudo publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B.

O autor principal do estudo, Thomas Clements, professor de zoologia de invertebrados na Universidade de Reading, explicou que foram utilizadas novas técnicas analíticas para descobrir características anatômicas ocultas na rocha. “E conseguimos determinar que não se trata de um polvo, mas sim de um nautiloide (família de moluscos) em avançado estado de decomposição, parente dos náutilos modernos”, disse Clements.

O fóssil foi encontrado no sítio arqueológico de Mazon Creek, ao sul de Chicago, Illinois. Paleontólogos estavam intrigados com o fóssil, pois ele é muito mais antigo do que o segundo polvo mais antigo conhecido, que data de cerca de 90 milhões de anos. Clements destacou que o animal estava em decomposição há semanas antes de ser enterrado, o que conferiu ao seu fóssil uma aparência semelhante à de um polvo, levando muitos a concluir que os polvos viveram muito antes do que se pensava.

No entanto, características como o comprimento e o formato dos braços não correspondiam ao que seria esperado para um polvo, o que gerou questionamentos entre os cientistas. Clements decidiu reexaminar o fóssil usando novas técnicas científicas que não estavam disponíveis na primeira análise, realizada em 2000.

“Utilizamos uma ampla gama de novas técnicas”, afirmou Clements, incluindo o uso de um microscópio eletrônico de varredura e trabalhos de geoquímica. A equipe também escaneou o fóssil usando imagens de sincrotron, uma técnica que gera raios X poderosos. Essa abordagem revelou características anatômicas ocultas, como uma rádula, uma estrutura alimentar com fileiras de dentes.

O fóssil apresentava pelo menos 11 dentes por fileira, enquanto os polvos têm apenas sete ou nove. “Foram esses minúsculos dentes que encontramos que nos permitiram identificar que não se tratava de um polvo”, acrescentou Clements. Ele afirmou que a pesquisa demonstra o poder das novas tecnologias para aprimorar a compreensão científica, destacando que essas técnicas estão se tornando mais acessíveis e baratas, revolucionando as investigações paleontológicas.

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