O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027 foi enviado à Câmara Municipal de Goiânia e sinaliza os rumos da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB). Após um início de mandato focado em austeridade e equilíbrio fiscal, a administração agora projeta aumentar investimentos, com ênfase em obras de infraestrutura.
Entre as prioridades estão intervenções como o trecho I do BRT Norte-Sul e a canalização e reurbanização do Córrego Cascavel. O primeiro trecho do BRT Norte-Sul, com previsão de conclusão em 18 meses, é um dos principais desafios da gestão. O plano inicial previa o início das obras em 2025, conforme edital de licitação, embora o projeto exista desde 2020, sem avanços concretos até o momento.
A reurbanização do Córrego Cascavel e outras intervenções de drenagem também representam desafios significativos. Com o fim do período chuvoso, o prefeito terá uma janela limitada de tempo para preparar a cidade para as próximas chuvas. Outras frentes incluem a reforma da Marginal Botafogo, com soluções para evitar novos alagamentos, além da conclusão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
O prefeito também enfrenta a nova fase do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (Puama), que prevê a implantação de 6,48 quilômetros de parque linear, com custo estimado em US$ 75 milhões. Essa e outras obras podem contar com empréstimos e financiamentos de instituições financeiras.
No entanto, com um plano de R$ 1 bilhão em investimentos, a gestão não pode ignorar o lado social. O projeto da LDO de 2027 reduz a meta fiscal destinada às Políticas para Mulheres, Direitos Humanos e Assistência Social em 76,7%, de R$ 41,2 milhões para R$ 9,5 milhões. O orçamento para Cultura também recua, passando de R$ 32,9 milhões para R$ 18,1 milhões (-44,9%), enquanto o Meio Ambiente registra uma redução de R$ 18,1 milhões para R$ 17,6 milhões (-3,2%).
O desenho do próximo orçamento indica uma clara prioridade na expansão da infraestrutura urbana. Embora isso seja importante, exige atenção à proteção social. Parte das obras também abrange áreas como saúde e educação, com a previsão de construção de oito Unidades de Pronto Atendimento (UPA).
Entretanto, ao reduzir drasticamente os investimentos em assistência social e cultura, a gestão corre o risco de associar desenvolvimento apenas às obras visíveis, negligenciando áreas essenciais para a vida da população mais vulnerável. A aposta em grandes obras, muitas delas dependentes de financiamento externo, levanta preocupações sobre a saúde das finanças públicas e o risco de um novo ciclo de endividamento, algo criticado pela própria gestão.
Assim, o desafio não será apenas cumprir prazos e entregar as obras prometidas, mas equilibrar o crescimento urbano com a atenção social. Sem essa abordagem, Goiânia pode avançar em infraestrutura, mas continuará devendo no que realmente sustenta a qualidade de vida da população mais vulnerável.


