De janeiro a março de 2026, o governo federal arrecadou R$ 1,28 bilhão com o imposto de importação sobre encomendas internacionais, conhecido como ‘taxa das blusinhas’. Esse valor representa um aumento de 21,8% em comparação ao mesmo período de 2025, quando a arrecadação foi de R$ 1,05 bilhão.
A medida, embora tenha contribuído para a arrecadação federal, gerou prejuízos aos Correios e preocupações na ala política do governo. A taxação das compras internacionais de até US$ 50 foi aprovada pelo Congresso Nacional em junho de 2024, após intensos debates e recuos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia classificado a taxação como “irracional”, mas sancionou a lei que instituiu a cobrança. Antes da implementação da taxa, as compras internacionais eram isentas, e o aumento da taxação foi um pedido da indústria nacional para garantir igualdade no comércio exterior.
O então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou repetidamente que a taxação das compras online não afetaria os consumidores. Contudo, a menos de seis meses das eleições, Lula e membros da ala política do governo começaram a defender a revogação da taxa.
O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), comentou em um encontro com jornalistas que considera “uma boa” revogar a medida, afirmando que essa é sua opinião, caso seja consultado.
Por outro lado, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) se opõem ao fim da taxa. Geraldo Alckmin, ex-ministro do Mdic, defendeu a manutenção do imposto e afirmou que não há decisão do governo sobre a revogação.
Além disso, empresários e trabalhadores de 67 associações enviaram um ofício ao presidente Lula em protesto contra a possível revogação da ‘taxa das blusinhas’. Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), declarou: “Nossa posição é clara: igualdade tributária e regulatória. Não faz sentido incentivar a importação de produtos que já são bastante subsidiados em seus países de origem, notadamente China, e prejudicar a produção, os investimentos, empregos e a geração de empregos no Brasil”.


