A guerra no Oriente Médio resultou em uma queda significativa na produção de petróleo da Opep. Dados divulgados pelo cartel nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, mostram que a oferta de petróleo caiu 27% em março, o maior recuo mensal já registrado.
A produção total da Opep foi reduzida para 20,8 milhões de barris por dia, uma diminuição de 7,9 milhões de barris diários em relação a fevereiro. A maior queda anterior havia ocorrido em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Embora o relatório oficial não mencione diretamente o conflito, atribuindo a situação a “desenvolvimentos geopolíticos”, o impacto da guerra é evidente. Pelo menos cinco países do cartel foram afetados por ataques a instalações energéticas ou restrições logísticas.
O Estreito de Ormuz, rota crucial para o tráfego de petróleo, se tornou um gargalo crítico devido à limitação do tráfego, controlado indiretamente pelo Irã. A ameaça à navegação reduziu a capacidade de exportação dos países do Golfo, forçando cortes na produção.
A Arábia Saudita, maior produtora da Opep, reduziu sua produção em 23%, para 7,8 milhões de barris por dia. Os Emirados Árabes Unidos sofreram uma queda de 45%, enquanto o Iraque viu sua produção despencar 61%, a maior retração entre os membros do cartel.
A redução da oferta ocorre em um momento de demanda ainda resiliente, pressionando os preços internacionais do petróleo, que já ultrapassam a marca de US$ 100 por barril. Isso reacende temores de inflação global e desaceleração econômica.
Alguns países tentam contornar o bloqueio com rotas alternativas, mas essas soluções têm capacidade limitada e não compensam totalmente a perda de acesso ao Estreito de Ormuz. A crise atual expõe a vulnerabilidade do mercado de petróleo, que depende de corredores estratégicos.
A duração do conflito e a capacidade de negociação entre as potências envolvidas serão determinantes para definir se o mercado enfrentará um choque temporário ou uma crise energética mais duradoura.

