O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ordenou na quinta-feira, 9 de abril de 2026, que sua embaixadora no Equador retorne “imediatamente” ao país. A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países latino-americanos, após Quito elevar para 100% as tarifas sobre importações colombianas.
As novas taxas impactaram as relações bilaterais, o comércio e a cooperação energética. As duas nações estão em uma guerra comercial que se intensificou, com o Equador alegando um aumento de gastos em defesa de cerca de US$ 400 milhões (R$ 2,06 bilhões) devido à falta de proteção da fronteira de 600 quilômetros que as divide.
O Ministério da Produção do Equador afirmou que o aumento das tarifas se deve à “falta de implementação de medidas concretas e efetivas em matéria de segurança fronteiriça por parte da Colômbia”. Em resposta, Petro declarou ser o presidente “que mais apreendeu cocaína em toda a história do mundo”.
A ação do Equador foi vista como uma retaliação após Petro pedir, na segunda-feira, 6 de abril, a libertação do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção. Glas, que recebeu a nacionalidade colombiana, é classificado por Petro como um “preso político”.
Além de chamar de volta sua embaixadora, María Antonia Velasco, Petro convocou seus ministros para uma reunião em “um ponto da fronteira” binacional. Glas, que foi vice-presidente entre 2013 e 2017 no governo de Rafael Correa, enfrenta várias condenações por corrupção e está detido em uma prisão de segurança máxima na província costeira de Santa.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou que “não se pode chegar a acordos com quem não tem o mesmo compromisso para lutar contra o narcoterrorismo”. Petro classificou o aumento das tarifas como “uma monstruosidade” e levantou a possibilidade de Bogotá se retirar da Comunidade Andina (CAN).
Petro também pediu à sua diplomacia que avance com a adesão plena ao Mercosul, do qual a Colômbia é Estado associado. Sua chancelaria argumenta que as tarifas impostas por Quito violam um tratado de cooperação econômica de 1969, conhecido como Acordo de Cartagena.
A chefe da diplomacia equatoriana, Gabriela Sommerfeld, informou que as conversas estão suspensas. Desde o início da guerra comercial, a Colômbia respondeu com tarifas sobre importações equatorianas e suspendeu a venda de energia ao Equador, que em 2024 enfrentou apagões de até 14 horas diárias.
O novo aumento das tarifas “fecha definitivamente qualquer possibilidade de comércio entre Colômbia e Equador”, afirmou Javier Díaz, presidente da Associação Nacional de Comércio Exterior. A crise acontece a quatro meses do fim do governo de Petro, que busca manter a esquerda governista no poder, com seu aliado Iván Cepeda aparecendo como favorito nas eleições gerais de maio.

