Marcos Panissa, homem foragido há mais de 30 anos, foi preso no Paraguai por assassinar sua ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, com 72 facadas. Ele foi encontrado na quarta-feira (15) e entregue às autoridades brasileiras na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Panissa estava sendo procurado desde 1995 e, durante o processo judicial, passou por quatro julgamentos. O último ocorreu em 2008, quando uma mudança na legislação permitiu que ele fosse julgado à revelia. Na ocasião, foi condenado a 21 anos e 6 meses de prisão, pena que foi posteriormente reduzida para 19 anos e 6 meses.
A promotora de acusação, Susana Lacerda, considerou a prisão de Panissa uma vitória. Ela afirmou:
“”Era um feminicídio, e não existia a lei de feminicídio quando aconteceu a prática desse crime gravíssimo. […] A família dessa vítima assistiu ela ser trucidada publicamente, foi ofendida a sua honra… Eu vejo como uma vitória, pois o tempo que esse réu estava foragido, ele decididamente acreditava na impunidade.””
O advogado de Panissa, Antônio Carlos Andrade Viana, afirmou que irá avaliar a legalidade da prisão e pedirá a revisão da pena. Ele declarou:
“”Não é que ele esteja pleiteando a absolvição. Ele confessou o crime, perdeu a cabeça, fez um crime pavoroso que chocou a família e a sociedade, mas nem por isso nós devemos sair da legalidade desse assunto.””
O crime ocorreu em 6 de agosto de 1989, no apartamento de Fernanda, em Londrina. Na época, Panissa confessou que a motivação para o assassinato foi ciúmes, pois não aceitava o fim do relacionamento.
Após a condenação inicial em 1991, Panissa teve sua pena revogada em 2008, mas não compareceu ao tribunal em 1995, o que resultou em sua fuga. Em 2018, a juíza Elisabeth Khater destacou que, caso Panissa não fosse encontrado até novembro de 2028, o crime prescreveria.
A prisão foi resultado de uma investigação da Polícia Federal, que indicou a presença de Panissa no Paraguai. Ele foi localizado em San Lorenzo, onde vivia com uma nova identidade e uma nova família, sem levantar suspeitas. A polícia informou que ele trabalhava no comércio de ferragens e não revelou sua verdadeira identidade à esposa e à filha.

