A Hungria realiza eleições neste domingo (12), que podem marcar o fim dos 16 anos de Viktor Orbán no poder. O primeiro-ministro enfrenta uma disputa direta com seu ex-aliado político, Péter Magyar, e denúncias de interferência estrangeira nas eleições.
Pesquisas indicam que a oposição, liderada por Magyar, pode vencer por uma ampla margem, provocando uma virada histórica no país. Orbán, que foi eleito pela primeira vez em 1998, retornou ao poder em 2010 e desde então tem governado com uma maioria significativa no Parlamento.
O partido de Orbán, o Fidesz, tem sido criticado por reescrever a Constituição e aprovar leis que criam uma “democracia cristã iliberal”, restringindo a liberdade de imprensa e limitando direitos de minorias. Apesar disso, suas políticas conservadoras e antimigração mantiveram seu apoio popular.
Recentemente, a economia húngara estagnou e a elite ligada ao governo se enriqueceu, o que fez Orbán perder força interna. Magyar, líder do partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza, ganhou espaço ao criticar o governo por corrupção e prometer reaproximação com a União Europeia.
As pesquisas indicam que o Tisza pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento, alcançando dois terços e possibilitando reformas constitucionais. O Fidesz deve conquistar entre 49 e 55 cadeiras, enquanto o partido de extrema direita Mi Hazank deve obter cinco ou seis assentos.
Orbán, que é o governante há mais tempo na União Europeia, tem buscado apoio de líderes globais, incluindo Donald Trump, que publicou uma mensagem de apoio à reeleição de Orbán. Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria, onde acusou a União Europeia de interferir nas eleições.
A Rússia também é acusada de tentar interferir nas eleições para manter Orbán no poder. A imprensa europeia relatou que o governo russo sugeriu encenar uma tentativa de assassinato contra Orbán para alterar o cenário eleitoral. Orbán, por sua vez, tem afirmado que a eleição é uma escolha entre “guerra ou paz”, negando que a oposição o levaria a um conflito na Ucrânia.
Magyar, por sua vez, promete combater a corrupção, fortalecer a independência da mídia e do Judiciário, e integrar a Hungria ao gabinete do procurador europeu, o que é rejeitado pelo governo atual. Ele também se comprometeu a reduzir a intervenção estatal na economia e melhorar os sistemas públicos de saúde e educação.

