A busca por maior controle de qualidade, redução de custos e acesso a mercados internacionais tem levado empresas brasileiras da cadeia da carne a investir em um modelo integrado, conhecido como “do pasto ao prato”. Essa estratégia combina produção pecuária, processamento industrial e canais próprios de venda, encurtando etapas e ampliando a rastreabilidade dos produtos.
A Fribal, empresa com origem no Maranhão, é um exemplo desse movimento. Com atuação nas três pontas do setor, o grupo exporta cerca de 40% da produção e vende para mais de 100 países, ao mesmo tempo em que fortalece o varejo próprio no Nordeste. O Brasil figura entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, ao lado de países como Estados Unidos e Austrália, e a competitividade internacional exige maior rigor em critérios sanitários, ambientais e de rastreabilidade.
O vice-presidente da Fribal, Gustavo Oliveira, destacou que o grupo atua de forma integrada na cadeia da carne, mas com operações independentes entre pecuária, indústria e varejo. Essa estrutura permite maior flexibilidade estratégica conforme o comportamento de cada mercado. “Se tiver mais demanda para exportação, com dólar e abertura de novos mercados, a gente acaba focando a produção para exportação”, explicou.
A companhia tem avançado no sistema de rastreabilidade total do rebanho, garantindo o acompanhamento dos animais desde a origem até o abate. “Hoje nós temos uma fazenda de recria, a gente compra o bezerrinho. Por isso que 100% do nosso gado abatido é 100% rastreado”, afirmou Gustavo Oliveira. O sistema de rastreamento se tornou uma exigência crescente no setor e uma ferramenta essencial para garantir conformidade com critérios sanitários e ambientais.
O mercado interno também apresenta crescimento consistente, impulsionado pelo aumento do consumo de proteína animal no Brasil. “Nós percebemos que o varejo alimentar tem crescido muito, essa questão de aumento de consumo de proteína e principalmente proteína animal”, disse Gustavo Oliveira.
O presidente da Fribal, Carlos Oliveira, destacou que o varejo do grupo vem ganhando protagonismo e se consolidando como um modelo de maior valor agregado no mercado interno. “O nosso varejo realmente é o que a gente espera muito dele, porque nós estamos indo muito bem”, afirmou.
A companhia mantém duas plantas frigoríficas no Maranhão, com abate anual de 320 mil cabeças, responsáveis por abastecer tanto o mercado externo quanto o varejo próprio e grandes clientes no Brasil. “A gente tem grandes cadeias de supermercados que são parceiros nossos”, apontou.
A verticalização da produção da empresa passou a ganhar força a partir de 2010, com a implantação dos frigoríficos de Santa Inês e Imperatriz (MA). Atualmente, as duas unidades de abate da Fribal operam sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) e respondem por cerca de 65% da capacidade de abate inspecionado no Maranhão. “Quem conseguir controlar toda a cadeia, da origem ao consumidor final, vai ter mais competitividade e mais capacidade de atender mercados exigentes”, concluiu Gustavo Oliveira.


