O governo iraniano declarou que as negociações com os Estados Unidos não tiveram sucesso devido a divergências em pontos considerados essenciais. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou à TV estatal que as conversas terminaram sem acordo por causa de ‘divergência de opiniões sobre duas ou três questões importantes’.
Baghaei mencionou que, em alguns temas, houve entendimento mútuo entre as delegações, incluindo discussões sobre o Estreito de Ormuz. No entanto, ele não fez referência a negociações relacionadas a armas nucleares.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, comentou em publicação no X que os negociadores de Teerã apresentaram ‘iniciativas construtivas’, mas que Washington foi ‘incapaz’ de conquistar a confiança iraniana nesta rodada de negociações.
A delegação do Irã foi composta por Ghalibaf e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. Entre os temas centrais discutidos esteve o desbloqueio de recursos iranianos congelados, que fontes próximas à delegação apontaram como condição para a participação nas conversas.
Essas fontes afirmaram que a decisão americana de liberar ativos foi determinante para que Teerã aceitasse negociar, embora essa medida não tenha sido confirmada oficialmente por Washington.
Outro ponto de tensão nas negociações foi a continuidade dos ataques no Líbano, mesmo após o cessar-fogo, o que se manteve como um obstáculo para um entendimento mais amplo. O analista de política internacional Uriã Fancelli afirmou em entrevista que a continuidade da guerra não interessa a nenhum dos países.
Ele destacou que, apesar de o Irã ter estruturado suas instituições para manter o funcionamento do Estado, as perdas decorrentes do conflito são relevantes. As declarações reforçam a avaliação iraniana de que as negociações não avançaram por falta de confiança entre as partes, mantendo o cenário de incerteza sobre os próximos passos diplomáticos.

