O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que, caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio naval sobre o Estreito de Ormuz, Teerã irá tomar as “medidas necessárias” em reciprocidade. A declaração foi dada em entrevista à mídia estatal iraniana nesta sexta-feira, 17, após a república islâmica reabrir a rota comercial em resposta ao acordo firmado entre Israel e o grupo militante Hezbollah no Líbano.
“Se o outro lado optar por quebrar seus compromissos, o que parece pretender fazer, e se o bloqueio naval continuar, a República Islâmica do Irã tomará as medidas necessárias, e não há dúvida disso”, declarou Baghaei.
De acordo com o porta-voz, Teerã reabriu o estreito após as condições firmadas no acordo de 8 de abril entre Estados Unidos e Irã serem cumpridas, em referência ao cessar-fogo entre Israel e Hezbollah no Líbano, algo apontado como parte central do acerto pela república islâmica, mas negado por Washington.
No entanto, o presidente Donald Trump afirmou que as embarcações americanas seguirão bloqueando o Estreito de Ormuz para navios que chegarem ou saírem em direção a portos iranianos. “O bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, disse Trump, em publicação na rede Truth Social.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada. De acordo com ele, a decisão foi tomada após entrar em vigor uma trégua no Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito no Oriente Médio, onde Israel combate o Hezbollah, milícia apoiada pelos iranianos.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã”, escreveu o chanceler no X (ex-Twitter).
Não está claro até quando o estreito permanecerá aberto. Araghchi mencionou “período restante do cessar-fogo”, mas não especificou se era o do Líbano (que expira em dez dias) ou aquele entre Estados Unidos e Irã (válido, inicialmente, até a próxima terça-feira, 21). O ministro afirmou, no entanto, que os navios teriam que seguir uma “rota coordenada”, previamente acordada com o Irã.
Após o anúncio iraniano sobre a reabertura de Ormuz, o preço do petróleo despencou, com o barril Brent caindo para menos de US$ 90, uma queda de 10% em relação ao valor anterior. Empresas de navegação ao redor do mundo também reagiram com otimismo, embora ainda permaneçam as dúvidas sobre quão seguro é navegar pela rota. “O status das ameaças não está claro, e a Bimco acredita que empresas de navegação deveriam evitar a área”, disse o diretor de segurança e proteção da associação de navegação Bimco, Jakob Larsen, ao jornal britânico The Guardian.


