O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira, 22, que um cessar-fogo total só faz sentido se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos.
A declaração foi feita horas após a Guarda Revolucionária Islâmica interceptar e apreender dois navios comerciais no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo.
Para Teerã, as restrições impostas por Washington configuram uma “violação flagrante” da trégua, anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
““A reabertura do Estreito de Ormuz é impossível enquanto persistirem ações que classificou como violações do cessar-fogo, incluindo o bloqueio naval americano e o que chamou de ‘beligerância sionista’”, disse Ghalibaf.”
Segundo ele, “os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos por meio de agressão militar, nem o farão por intimidação”.
A reação iraniana ocorre após Trump anunciar a prorrogação por tempo indeterminado da trégua, a pedido do Paquistão, que atua como mediador nas negociações. Uma rodada de conversas foi realizada em Islamabad, mas terminou sem avanços concretos.
A Guarda Revolucionária Islâmica informou que interceptou as embarcações MSC Francesca, com bandeira do Panamá, e Epaminondas, registrado na Libéria, sob a alegação de que navegavam “sem a devida autorização” e teriam manipulado seus sistemas de navegação.
Teerã também vinculou o MSC Francesca a Israel. As ações ocorreram após relatos da agência marítima britânica UKMTO e da Reuters de que ao menos três navios porta-contêineres foram alvos de disparos na região desde a madrugada desta quarta-feira.
Um deles sofreu danos, mas não houve registro de vítimas. O Estreito de Ormuz, que conecta os golfos Pérsico e de Omã, responde por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás.
Desde o início do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o tráfego marítimo na região caiu drasticamente. Teerã mantém, há quase dois meses, um bloqueio de fato na passagem, permitindo a travessia de algumas embarcações mediante pagamento de taxas informais.
Ao mesmo tempo, afirma que o estreito está fechado “para sempre” a navios ligados aos Estados Unidos e a Israel.


