A carteira de crédito do agronegócio do Itaú BBA deve crescer cerca de 10% em 2026, alcançando aproximadamente R$ 148,5 bilhões, em comparação aos R$ 135 bilhões registrados ao final de 2025. A informação foi divulgada pelo diretor de Agronegócio do banco, Pedro Fernandes.
Fernandes destacou que, apesar das margens mais apertadas dos produtores de grãos, que reduzem o apetite para investimentos, o crescimento da carteira é considerado importante. Ele mencionou que a guerra no Irã tem gerado custos mais altos com combustíveis e fertilizantes, mas também pode beneficiar produtores de etanol de cana-de-açúcar e milho, devido ao aumento dos preços do petróleo.
O diretor também observou que setores como a pecuária, o café e o algodão estão apresentando um desempenho positivo. A pecuária, por exemplo, está com preços próximos de recordes da arroba bovina, impulsionados pela forte demanda da China. Fernandes afirmou:
““Os momentos de maior desafio são momentos de grandes oportunidades.””
Ele ressaltou que o Itaú BBA pode ocupar o espaço de bancos que estão sendo mais restritivos com o agronegócio, especialmente em um cenário de juros altos e maior alavancagem. O executivo mencionou que o setor de açúcar e etanol tem crescido a penetração do banco, mesmo com os preços do açúcar oscilando nos menores patamares em cinco anos na bolsa de Nova York.
Fernandes acredita que o setor não deixará de investir na renovação de canaviais, mesmo em um cenário de preços baixos.
““Esse é um momento em que todos os players entendem que a produtividade agrícola é um fator crucial para competitividade no longo prazo.””
O diretor também comentou sobre a expectativa de estabilidade na inadimplência durante o período crítico de vencimentos de parcelas de financiamentos, entre abril e maio. Ele afirmou:
““A nossa melhor estimativa aqui é que a nossa inadimplência tende a ser igual ou menor do que no ano passado.””
Fernandes destacou que o banco continua comprometido com o agronegócio, sem revisar suas estratégias, e que o setor é cíclico. Ele mencionou que a guerra no Irã terá impactos no planejamento da próxima safra de grãos 2026/27, mas que a produção da safra atual já está plantada e será pouco afetada.
Às vésperas da Agrishow, principal feira de exposição e negócios de máquinas agrícolas, que ocorrerá em Ribeirão Preto, o executivo afirmou que as margens agrícolas da soja e do milho ainda estão positivas, mas os custos em alta têm gerado uma redução no apetite para investimentos.

