A Justiça do Trabalho determinou que 60% da frota do transporte coletivo de Divinópolis seja mantida em circulação durante a greve dos motoristas, iniciada na madrugada de 17 de abril de 2026.
A decisão liminar prevê multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) tomou essa decisão após a greve afetar o transporte público, que chegou a ter apenas 20% dos ônibus em circulação, prejudicando cerca de 70 mil pessoas.
O magistrado afirmou que a interrupção total do transporte coletivo “acarreta grave perturbação à ordem pública e ao direito de locomoção da coletividade”, justificando a intervenção para garantir o funcionamento mínimo do sistema.
““A interrupção total do transporte coletivo acarreta grave perturbação à ordem pública e ao direito de locomoção da coletividade”, disse o magistrado.”
Na decisão, o TRT destacou que o movimento não observou integralmente os requisitos da Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989), agravando os impactos à população. O tribunal reforçou que serviços essenciais, como o transporte público, devem garantir atendimento mínimo para evitar prejuízos à coletividade.
A Prefeitura de Divinópolis foi incluída no processo como terceira interessada e ficará responsável por fiscalizar o cumprimento da decisão judicial. A administração municipal anunciou medidas emergenciais, como a liberação de vans e micro-ônibus para reforçar o transporte, além da contratação de serviços temporários para atender áreas essenciais, como saúde e segurança.
A prefeita Janete Aparecida Silva acompanha a situação e cobrou providências do consórcio responsável pela operação do sistema.
Em meio à crise, o município decretou situação de emergência no transporte público e autorizou o reajuste da tarifa. A passagem passará de R$ 4,15 para R$ 6,00 em dinheiro (alta de 44,5%) e para R$ 5,50 no cartão (aumento de 32,5%), a partir de 1º de maio.
Segundo a Prefeitura, o sistema enfrenta desequilíbrio financeiro, com custo real da passagem acima de R$ 6,50 e prejuízo acumulado superior a R$ 10 milhões apenas em 2026.
A paralisação envolve cerca de 280 trabalhadores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintrrodiv) e ocorre após impasse nas negociações com o consórcio responsável pelo serviço. Entre as principais reivindicações da categoria estão o aumento do salário para R$ 4 mil (atualmente em torno de R$ 3 mil), reajuste do ticket alimentação para R$ 1 mil, redução da jornada de trabalho e incorporação de benefícios ao salário.
Sem acordo formal apresentado pelas empresas, os motoristas mantiveram a greve, que provocou a interrupção da circulação dos ônibus nas primeiras horas do dia.


