A Justiça publicou um edital que marca o início do processo competitivo para selecionar a empresa encarregada de finalizar as obras dos loteamentos Auferville, em São José do Rio Preto, São Paulo. Este empreendimento imobiliário, que foi lançado no final de 1990, enfrenta obras pendentes há mais de duas décadas.
A venda das obras ocorre no contexto da recuperação judicial do Grupo Aufer, que possui uma dívida estimada em R$ 363 milhões. Em maio deste ano, está programado um leilão de uma área de aproximadamente 8,8 hectares, avaliada em R$ 7 milhões, situada entre os loteamentos do projeto. Essa ação faz parte da segunda etapa do processo de alienação de ativos da companhia, que será realizada online pela plataforma Positivo Leilões, visando gerar recursos para o pagamento dos credores.
O projeto Auferville abrange cinco loteamentos em diversas regiões da cidade, incluindo áreas adjacentes ao bairro Vila Azul e à estrada vicinal que leva ao distrito de Talhado. Ao longo dos anos, o empreendimento enfrentou intensos conflitos judiciais e uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público contra a construtora e a Prefeitura de Rio Preto, devido à falta de infraestrutura básica nos loteamentos. Essa ação buscava responsabilizar os envolvidos pela execução das obras, mas foi suspensa após o pedido de recuperação judicial da empresa.
O processo competitivo será realizado por meio da apresentação de propostas fechadas em uma sessão virtual. Diferentemente de um leilão convencional, o critério de seleção não será o maior lance financeiro, mas sim a proposta que exigir a menor quantidade de lotes como contrapartida. A Coplan Construtora Planalto já apresentou uma oferta vinculante e é a primeira proponente, estando automaticamente habilitada no processo. Outros interessados poderão fazer propostas mais vantajosas, mas a Coplan terá o direito de preferência para igualar a melhor oferta ao final do certame.
O vencedor do processo ficará responsável por concluir e regularizar os empreendimentos, incluindo a implementação da infraestrutura básica, em um cronograma que pode se estender por até dez anos, conforme o plano aprovado pelos credores em novembro de 2025 e homologado pela Justiça em janeiro deste ano. Em contrapartida, a empresa vencedora terá o direito de explorar economicamente até 4.032 lotes, que totalizam cerca de 853 mil metros quadrados.
““A conclusão das obras desses loteamentos não é apenas uma questão econômica, mas social e urbana, porque envolve infraestrutura, dignidade e desenvolvimento para a cidade. Esse modelo permite atrair um investidor com capacidade técnica para executar as obras com segurança jurídica, destravar um passivo relevante e dar uma resposta definitiva à população e aos credores do grupo”, afirmou Carlos Alberto Mendonça Garcia, administrador judicial responsável pelo processo.”

