O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez cobranças à União Europeia sobre o acordo de livre comércio com o Mercosul durante sua visita à Alemanha. Em coletiva ao lado do chefe do governo alemão, Friedrich Merz, Lula criticou os Estados Unidos, mencionando Cuba e Venezuela, e se opôs a governos que “faltam respeito com a integridade territorial das nações”.
Lula qualificou o bloqueio petrolífero imposto por Donald Trump a Cuba como “ideológico” e “uma vergonha mundial”, expressando sua firme oposição a qualquer invasão dos Estados Unidos à ilha. “Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política em como a sociedade de um país deve se organizar ou não”, afirmou.
O bloqueio já provocou a pior crise econômica e energética da ilha caribenha em décadas. Merz apoiou Lula, afirmando que “não há nenhuma ameaça perceptível que emane de Cuba para outros países” para justificar uma possível invasão americana.
Sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, Lula criticou as medidas unilaterais da UE, afirmando que “o acordo só se sustenta se há equilíbrio de parte a parte”. Ele destacou que “uma série de medidas da UE ameaçam desnivelar os pratos dessa balança” e que não é correto usar métricas que não refletem a realidade.
Lula defendeu o Brasil como protagonista na transição energética, afirmando a necessidade de “desmistificar o preconceito contra os biocombustíveis brasileiros” e sugerindo que o país pode se tornar a “Arábia Saudita dos biocombustíveis”. Ele também comentou que o medo europeu de que a energia limpa prejudique a agricultura é infundado.
O presidente ainda defendeu uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, expressando preocupação com o retorno do conflito no Irã e criticando os altos gastos com armas no Oriente Médio enquanto há fome no mundo. “Ou nós assumimos a responsabilidade para mudar a carta e estatuto das Nações Unidas ou continuamos nessa nau vagando pelo mar sem controle”, declarou.
“”Vou gritar aos quatro cantos do mundo: ou nós renovamos as Nações Unidas, ou a gente vai continuar com a guerra”, acrescentou Lula.”
Ele defendeu a inclusão de países como Brasil, Alemanha, Japão, Índia, México e outras nações africanas no Conselho de Segurança.


