O banco Macquarie rebaixou a recomendação da DiDi Global para neutra e reduziu o preço-alvo da companhia em 58%, passando de US$ 9,30 para US$ 3,90. O alerta foi emitido devido à falta de gatilhos de curto prazo.
No quarto trimestre de 2025, a DiDi reportou receita de 58 bilhões de yuans, o que representa um aumento de 10% em relação ao ano anterior. O GTV foi de 124 bilhões de yuans, com crescimento de 20%, mas o EBITA ajustado ficou negativo em 2,1 bilhões de yuans, abaixo das expectativas do mercado.
O principal fator de pressão identificado pelo banco está no Brasil. A expansão do serviço de delivery aumentou os custos com incentivos, resultando em um prejuízo de 3,4 bilhões de yuans (equivalente a 470 milhões de dólares) na divisão internacional no trimestre, quatro vezes maior do que no mesmo período do ano anterior.
A projeção é que esse segmento registre perdas de cerca de 10 bilhões de yuans em 2026, mesmo com um crescimento de 46% no GTV. O relatório indica que “os gastos devem ter atingido o pico” e aponta uma recuperação gradual da rentabilidade.
Na China, a situação é mais estável, com o GTV crescendo 11% no trimestre e o preço médio das corridas subindo 1% em relação ao ano anterior, sinalizando uma estabilização. Contudo, isso não é suficiente para compensar a pressão externa enfrentada pela empresa.
O Macquarie também cortou suas estimativas de EBITDA em 23% para 2026 e em 54% para 2027, ressaltando que a recuperação depende da melhoria da operação internacional e de maior visibilidade sobre um possível IPO em Hong Kong.


