Uma família de Tatuí, São Paulo, registrou um boletim de ocorrência após uma adolescente de 14 anos ser agredida por três alunas na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) “Ayrton Senna da Silva”, conhecida como Nebam. O incidente ocorreu no dia 24 de março, mas as imagens foram enviadas à imprensa em 3 de abril.
A mãe da adolescente, que preferiu não se identificar, relatou que as agressões começaram após um desentendimento entre sua filha e uma das supostas agressoras. “Recebi uma ligação da diretora dizendo que eu deveria ir à escola pois haviam agredido a minha filha. Cheguei lá bem nervosa. Ela estava com mordidas nos braços e ameaçaram furar ela com uma pinça pois ela havia supostamente falado mal da outra menina, o que não aconteceu”, afirmou.
A mãe alegou que, durante as agressões, a filha ficou trancada na sala de aula com as outras estudantes. Além das agressões físicas, a menina também foi xingada. “A menina pegou a minha filha pelos cabelos e começou a bater, só que ela já praticou esportes envolvendo luta. Ela começou a bater na cabeça da garota para se defender. As duas saíram grudadas uma na outra da sala de aula e ninguém da escola tentou separar”, pontuou.
Desde o ocorrido, a adolescente não tem frequentado as aulas devido ao medo de novas agressões. A mãe solicitou à direção da escola que as responsáveis pela agressão fossem transferidas de turno, já que sua filha estuda no período da manhã devido a um diagnóstico de dermatite atópica, que a impede de ficar exposta ao sol à tarde.
A mãe relatou que a escola não separou as alunas durante a briga, alegando que “não podem pôr a mão em um aluno”. A diretora informou que apenas suspendeu as alunas, permitindo que retornassem após um período. “Minha filha não está estudando desde então e nenhum registro formal do que aconteceu foi feito na diretoria da escola. Precisei chamar uma viatura e fazer um boletim de ocorrência na porta da escola. Até o policial ficou indignado com a falta de posicionamento e pediu para reforçar o boletim na delegacia. Minha filha está com medo de voltar para a escola e ser agredida de novo”, complementou.
A mulher também protocolou o caso na Defensoria Pública de Tatuí. Segundo ela, a adolescente nunca teve problemas na escola relacionados a bullying ou desentendimentos com outros alunos. “Na sexta-feira (27), retornei à escola para ver se a minha filha conseguiria voltar a frequentar as aulas. Quando cheguei, tinha uma assistente social dizendo que faria reuniões para tomar as medidas cabíveis e, depois disso, colocaria eu e a família da menina que agrediu frente a frente para ‘nos entendermos, nos abraçarmos e ficarmos tudo certo’. Eu disse que não aceitaria isso”, destacou.
A mãe afirmou que não se sente segura para enviar a filha à escola e considera solicitar a transferência da menina para outra unidade. “Eu falei para ela que, enquanto ela não se sentir segura, ela não vai à escola. Podem acionar o Conselho Tutelar para falar que ela está faltando, falei até para transferirem ela para uma escola mais perto de onde moramos. Vou procurar os direitos da minha filha para ela ficar em segurança”, finalizou.
A Prefeitura de Tatuí, em nota, informou que a situação foi prontamente interrompida pelos profissionais da unidade e que as estudantes foram acolhidas, ouvidas e orientadas pela equipe gestora, com apoio do psicólogo da escola. Os responsáveis pelas alunas foram convocados e a supervisão de ensino fundamental foi informada, passando a acompanhar o caso. O caso foi encaminhado à rede de proteção, incluindo o Conselho Tutelar, e as turmas foram reorganizadas, colocando as alunas em salas distintas, mantendo o período da manhã, em respeito às condições de saúde apresentadas pela família.

