Ministros do STF atuam para aprovar Jorge Messias; aliados veem risco para Lula

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm trabalhado nos bastidores para garantir a aprovação de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) para a vaga deixada pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, ocorrida em outubro do ano passado.

Interlocutores do Planalto afirmam que Messias já conta com o apoio de partidos como PSD e MDB. Para ser nomeado, ele precisa passar por uma sabatina no Senado e ter sua candidatura aprovada em votação no plenário.

Dentro do STF, a avaliação é de que, apesar de uma ala ligada ao ministro Alexandre de Moraes ter demonstrado preferência inicial por Rodrigo Pacheco (PSB-MG), esse debate foi superado. Atualmente, prevalece entre os ministros a ideia de que é melhor aprovar um nome indicado por Lula agora do que correr riscos no cenário pós-eleitoral, especialmente em caso de mudança no comando do Planalto.

A preocupação com o funcionamento da Corte é evidente. Em meio a uma crise institucional, ministros consideram que manter uma cadeira vaga fragiliza ainda mais o Supremo.

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No Congresso, a situação é diferente. Aliados de Davi Alcolumbre, presidente do Senado (União Brasil-AP), relatam que ele conversou com Lula há cerca de 15 dias, mas evitou assumir compromisso de apoio. A sinalização foi de neutralidade: Alcolumbre não pretende ajudar, mas também não deve atuar para atrapalhar, uma postura descrita como “lavar as mãos”.

A leitura entre os aliados de Alcolumbre é de que o cenário político está se deteriorando rapidamente. A oposição é vista como altamente organizada, com destaque para a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), considerado um dos principais vetores de mobilização dentro e fora do Congresso.

Nos bastidores, já há discussões sobre a possibilidade de impor uma derrota ao governo, o que poderia fortalecer o campo oposicionista e projetar Flávio Bolsonaro em um cenário presidencial. Aliados de Alcolumbre também apontam falhas de coordenação do governo, que pode não ter calibrado corretamente o “timing” da indicação.

A decisão de avançar agora buscou evitar uma contaminação mais direta pelo período eleitoral, mas acabou colocando o STF no centro do debate político nacional. Pautas envolvendo o Supremo têm forte ressonância na opinião pública e podem se refletir nas urnas, aumentando o risco político para o governo.

Apesar da relação historicamente próxima entre Alcolumbre e Lula, há uma percepção de distanciamento entre os dois, o que ajuda a explicar a postura mais cautelosa adotada pelo presidente do Senado neste momento.

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