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Saúde

Mulher passa 150 dias em UTI enquanto plano de saúde nega home care

Amanda Rocha
Última atualização: 25 de abril de 2026 02:57
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Izabel Peralta Fortunato, de 63 anos, está há mais de 150 dias internada em uma UTI em São Paulo, após ser diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em 2024. A família busca na Justiça garantir o tratamento domiciliar que os médicos indicam, mas o plano de saúde Hapvida nega a autorização.

O diagnóstico de ELA foi confirmado após meses de exames e consultas. Izabel, que já não fala, se comunica por um dispositivo que capta o movimento dos olhos e expressou seu desejo de viver: “Não quero morrer. Ainda preciso brincar com meu neto Gael. Ficar mais um pouco com o meu amor. Ver minha filha Munique se casar com o Lucas. Ver minha filha Natália ser muito feliz com seu marido. Estou à espera da cura, se Deus quiser.”

A ELA é uma condição neurodegenerativa que compromete os neurônios motores, levando à perda progressiva da capacidade de movimento. Segundo Marco Aurélio Troccoli Chieia, especialista na área, o tratamento multidisciplinar é essencial para pacientes com ELA, pois a fisioterapia e outros cuidados devem ser ajustados com precisão para evitar a aceleração da morte dos neurônios motores.

A família de Izabel enfrentou dificuldades com o home care, que foi interrompido no final de 2024. Com profissionais generalistas, o quadro de saúde dela se deteriorou, levando a internações emergenciais e complicações como pneumonia e trombose. A família chegou a fazer empréstimos para cobrir os custos do tratamento especializado.

Desde 2024, a família luta na Justiça por um tratamento domiciliar. Uma tutela de urgência foi concedida em março de 2024, mas a Hapvida alega que Izabel não tem condições clínicas de deixar o hospital. Em março de 2026, um juiz deu um prazo para a operadora indicar uma clínica apta ao tratamento, mas a família afirma que o prazo expirou sem solução.

O neurologista Filipe Di Pace, que acompanha Izabel, afirma que ela tem condições de alta para internação domiciliar de alta complexidade. A Hapvida, por sua vez, argumenta que o quadro de Izabel requer suporte intensivo contínuo e que a alta médica formal ainda não ocorreu.

Enquanto a disputa legal continua, o risco para Izabel aumenta. Chieia destaca que a permanência em ambiente hospitalar pode expor os pacientes a infecções e outras complicações. A família já tem uma estrutura montada para o atendimento domiciliar, aguardando apenas a autorização para a saída do hospital.

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