A Nike viu suas ações despencarem 15,5% nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre fiscal. Apesar de superar as expectativas de lucro e receita, a empresa projetou queda nas vendas para os próximos meses.
O lucro por ação foi de 35 centavos, comparado a 54 centavos no mesmo período do ano anterior, superando a expectativa de 29 centavos. A receita totalizou US$ 11 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior. Contudo, a Nike alertou que espera uma queda nas vendas de 2% a 4% no quarto trimestre fiscal, abaixo da projeção de aumento de 1,9% prevista pelo mercado.
Os resultados financeiros refletem desafios enfrentados pela empresa, incluindo o impacto de tarifas mais altas na América do Norte, que reduziram a margem bruta em 130 pontos-base, chegando a 40,2%. A receita direta ao consumidor caiu 4%, principalmente devido à fraqueza nas lojas próprias e no segmento digital.
A recuperação da Nike não é uniforme, com a América do Norte e regiões da Europa, Oriente Médio e África apresentando crescimento moderado de 2% a 3%, enquanto a Ásia-Pacífico e a América Latina avançaram apenas 1%. A marca Converse teve desempenho ainda mais fraco, com receita em queda de 35% para US$ 264 milhões, impactando os resultados consolidados.
Executivos da Nike, como Matthew Friend, afirmaram: “Enquanto nossa recuperação está levando mais tempo do que gostaríamos, estamos confiantes de que estamos no caminho certo.” Parte da pressão sobre os resultados se deve a encargos de US$ 230 milhões com demissões ao longo dos últimos nove meses, concentradas nas áreas de tecnologia e cadeia de suprimentos.
A Nike espera que esses cortes contribuam para a redução de custos no futuro. Além disso, a empresa alertou que fatores externos, como aumento do preço do petróleo e instabilidade no Oriente Médio, podem continuar afetando custos e demanda. Apesar disso, segmentos estratégicos, como calçados de corrida e produtos relacionados à Copa do Mundo de Futebol, mostram sinais positivos.
O mercado reagiu negativamente, e as ações da Nike atingiram seu menor valor de fechamento desde outubro de 2014, a US$ 44,62. Analistas revisaram suas projeções: a Truist Securities reduziu o preço-alvo de US$ 69 para US$ 57, mantendo recomendação de compra, enquanto Goldman Sachs, JPMorgan e Bank of America rebaixaram as ações para recomendação neutra.
Joseph Civello, da Truist, comentou que o progresso da recuperação da Nike continua irregular e que “as ações devem permanecer em zona de penalidade nos próximos meses, mas com base redefinida mais baixa, há potencial para recuperação futura.” A companhia promete apresentar nova orientação para o ano fiscal completo durante um dia do investidor no outono, enquanto os investidores monitoram a execução do plano de turnaround e a evolução da demanda em mercados-chave.

