Novas medidas do governo para combustíveis terão efeito limitado, afirmam especialistas

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

As novas medidas anunciadas pelo governo na segunda-feira (6) para amenizar o impacto da guerra devem gerar efeitos limitados nos preços dos combustíveis, segundo especialistas.

Um executivo do setor afirmou que, no momento, a ação não será suficiente e terá pouca adesão por parte do setor privado. O socorro anunciado pelo Executivo não deve derrubar os preços, mas apenas amortecer o aumento, que é considerado inevitável.

David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP e professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, comentou:

““Estamos em uma situação de guerra e de restrições. É óbvio que as ações do governo podem amortecer esse processo, mas não estamos em uma situação de estabilidade.””

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Francisco Neves, diretor-executivo da ANDC, acredita que a redução do custo tributário pode impactar positivamente o equilíbrio dos preços, mas ressalta que é necessário

““aguardar um pouco””

para avaliar melhor o cenário e o quão profundo será o efeito.

O governo federal editou, na tarde de segunda-feira, medidas para evitar o aumento do preço dos combustíveis, incluindo novas subvenções para o diesel, isenções para o setor aéreo e paridade de preço para o gás de cozinha. Essas medidas têm duração inicial de dois meses e devem custar, somadas a ações anteriores, R$ 31 bilhões aos cofres públicos.

Murilo Viana, economista e consultor, avaliou que as medidas não necessariamente resultarão em redução de preços para os consumidores finais, mas facilitarão o repasse dos preços internacionais para importadores. Ele destacou:

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““Do ponto de vista dos consumidores, fica ali a dúvida se, de fato, esse alívio vai chegar na ponta ou se vai ser suficiente para poder, digamos, compensar esse grande choque do petróleo.””

Viana também ressaltou a defasagem do diesel em relação ao preço internacional, que, se repassada integralmente, poderia causar forte impacto inflacionário e instabilidades nas cadeias de fornecimento doméstico, incluindo o risco de greves de caminhoneiros, como ocorreu em 2018.

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