Agentes da brigada financeira e anticorrupção da polícia francesa não foram autorizados a entrar no Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, durante uma investigação sobre a organização de cerimônias de homenagem no Panteão de Paris.
A apuração judicial examina as condições de contratação de eventos oficiais ligados às chamadas “panteonizações”, que homenageiam figuras marcantes da história francesa. Desde 2002, a organização desses eventos é atribuída à mesma empresa, a Shortcut Events.
Segundo o jornal Le Monde, a investigação foi aberta após uma denúncia anônima ao Ministério Público Financeiro no final de 2023 e apura possíveis irregularidades como “favorecimento, corrupção, tráfico de influência e conflito de interesses” na concessão de contratos públicos.
O acesso direto a setores do Eliseu foi negado com base em uma interpretação constitucional que prevê a inviolabilidade das instalações ligadas à Presidência, conforme comunicado do Ministério Público francês.
O Panteão de Paris, conhecido como o “templo dos imortais”, abriga desde o século XVIII os restos mortais de personalidades que marcaram a história do país. Cabe ao presidente da República decidir quais nomes serão homenageados. Cada cerimônia pode custar cerca de 2 milhões de euros.
A investigação abrange eventos realizados desde 2002 até homenagens mais recentes, como a entrada, em outubro do ano passado, do ex-ministro Robert Badinter, responsável pela abolição da pena de morte. A próxima cerimônia está prevista para junho, quando o historiador Marc Bloch, morto pelos nazistas, deverá ser incluído no local.
Esta não é a primeira vez que a Presidência francesa é alvo de buscas judiciais. Em 2018, já no governo de Emmanuel Macron, uma operação semelhante ocorreu visando o escritório de Alexandra Benalla, ex-chefe de segurança da equipe do presidente, em uma investigação por “violência em reunião”.



