Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) realizaram um estudo que identificou a presença de metais tóxicos, como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo, em peixes consumidos em diversas localidades.
A coleta de amostras foi feita nos municípios de Faro, Juruti, Santarém e Oriximiná, na região do Baixo Amazonas, além de Itaituba, no Sudoeste do Pará. O estudo não conclui que os peixes estão impróprios para o consumo, pois algumas espécies predadoras apresentaram baixa concentração de substâncias tóxicas.
As espécies analisadas incluem tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha, que são predadoras, além de aracu e acari, que não são predadoras. A escolha dessas espécies se deu pela sua presença em todas as localidades e pelo seu valor na alimentação local.
Os pesquisadores Fábio Albuquerque, doutor em Ciências Ambientais, e Antonio Minervino, professor do programa, destacaram que a pesquisa foi motivada pelos desafios ambientais enfrentados pela região, como a mineração artesanal de ouro, que é uma atividade poluidora e responsável pela contaminação por mercúrio.
O estudo também menciona que a mineração de bauxita em Porto Trombetas e Juruti contribui para a contaminação, devido ao resíduo gerado, que pode conter metais pesados. Santarém, embora não tenha atividades mineradoras, é afetada pela sedimentação dos rios Tapajós e Amazonas, que recebem poluentes de municípios vizinhos.
Os resultados indicam que peixes carnívoros apresentam níveis de mercúrio que podem ultrapassar valores seguros em consumos frequentes. “Altas concentrações de mercúrio se encontram nos peixes predadores, como o tucunaré, a piranha, o surubim-pintado e o pirarucu”, afirmou Fábio Albuquerque.
No cenário amazônico, onde o consumo de peixe é elevado, os dados sugerem riscos à saúde, especialmente por efeitos neurológicos associados ao mercúrio. A pesquisa alerta para a necessidade de monitoramento ambiental e ações de saúde pública específicas para populações ribeirinhas, que consomem grandes quantidades de pescado.
““Os metais pesados ocorrem naturalmente nos ecossistemas, mas as atividades antrópicas favorecem o aumento das concentrações que chegam aos organismos aquáticos”, alertou Albuquerque.”


