A Petrobras comercializa gasolina com um desconto de 41% em relação ao Preço de Paridade de Importação (PPI), conforme relatório do Itaú BBA divulgado na quarta-feira, 15 de abril de 2026.
No caso do diesel, o preço está 34% abaixo do PPI. A política de preços da Petrobras foi alterada sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que substituiu o modelo adotado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante o governo Bolsonaro, a Petrobras utilizava o PPI, um mecanismo que beneficiou a empresa e seus acionistas, levando a estatal a se tornar a maior pagadora de dividendos do mundo no segundo trimestre de 2022. Naquele ano, a companhia distribuiu R$ 112 bilhões em lucros aos acionistas, enquanto o preço do petróleo alcançou US$ 120 por barril, impulsionado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pela recuperação da demanda no pós-pandemia.
Apesar do fortalecimento financeiro da estatal e dos altos dividendos pagos, o PPI fez com que o preço da gasolina chegasse a R$ 10 por litro durante o governo Bolsonaro. A revisão dessa política foi uma das promessas de campanha de Lula.
Atualmente, a Petrobras adota o Preço de Paridade de Exportação (PPE), que não considera o custo de frete na venda de combustíveis. Mesmo assim, gasolina e diesel permanecem abaixo do nível considerado adequado pelo mercado financeiro.
De acordo com o Itaú BBA, a gasolina é vendida com um desconto de 17% em relação ao PPE, enquanto o diesel apresenta uma defasagem de 8%. Os analistas observam que, ao incluir as medidas governamentais para o diesel, como a redução de R$ 0,60 no ICMS pelos estados e subsídios federais entre R$ 0,60 e R$ 0,80, o preço efetivo do combustível ultrapassa a paridade de importação.
““Considerando os subsídios que a Petrobras receberá, o preço realizado do diesel já está acima da paridade de importação, o que indica não haver necessidade de ajuste”, concluem os analistas.”

