A Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciou, nesta semana, investigações contra cinco grandes indústrias por sua colaboração com o regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1988.
As empresas alvo das ações são Embraer, Fiat Automóveis, Usiminas, ArcelorMittal e Vallourec. O subprocurador-geral Nicolao Dino destacou a “necessidade premente de apurar a colaboração e a cumplicidade empresarial com o aparato repressivo do período ditatorial, visando a efetiva produção probatória e a reparação histórica dos danos”.
Dino mencionou que há provas robustas contra a Vallourec, anteriormente conhecida como Companhia Siderúrgica Mannesmann. Ele afirmou: “O caso da Companhia Siderúrgica Mannesmann (atualmente Vallourec) envolve provas robustas sobre o financiamento do aparato repressivo em Minas Gerais, incluindo indícios de participação em articulações com autoridades estaduais voltadas à sustentação do regime instaurado e de suas práticas repressivas”.
Sobre a ArcelorMittal, que era a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, o subprocurador ressaltou a “relevância estratégica e a robustez probatória do caso”, citando evidências de colaboração com a ditadura civil-militar que foram objeto de pesquisas históricas realizadas por acadêmicos da Universidade Federal de São Paulo.
A Usiminas é mencionada como uma investigação de “relevância estratégica”, abrangendo investigações sobre o Massacre de Ipatinga e a repressão a movimentos grevistas durante a ditadura militar.
Quanto à Fiat, Dino afirmou que a investigação sobre a colaboração empresarial com estruturas de repressão estatal “contribui para o aprimoramento da responsabilidade corporativa, bem como para a construção de parâmetros institucionais de accountability, transparência e reparação integral às vítimas e à coletividade”.

