O plano de dez pontos divulgado pelo Irã para as negociações com os Estados Unidos durante o cessar-fogo não corresponde ao documento recebido por Washington, conforme informou a agência de notícias AFP nesta quarta-feira, 8.
Um funcionário de alto escalão da Casa Branca, que pediu anonimato, afirmou que o governo americano não pretende discutir publicamente os termos do acordo, enquanto as tratativas para encerrar o conflito no Oriente Médio estão em andamento. Segundo a fonte, existem diferenças significativas entre a proposta divulgada por Teerã e a que está sendo analisada internamente pelo governo dos EUA.
““O documento ao qual a imprensa se refere não é o plano em que estamos trabalhando. Não vamos negociar publicamente”, afirmou.”
As inconsistências já haviam sido destacadas pela agência de notícias The Associated Press. A versão em farsi do plano, divulgada pelo Irã, inclui a expressão “aceitação do enriquecimento” no programa nuclear, um ponto sensível que não aparece nas versões em inglês. Este tema é central nas conversas, já que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende o fim completo do programa nuclear iraniano como condição para qualquer acordo.
Nesta quarta-feira, Trump reiterou que “não haverá enriquecimento de urânio” no Irã, alegando que Washington colabora com Teerã para “remover” todo o estoque do material radioativo do país. A ausência do termo nas versões internacionais não foi explicada até o momento.
Trump chegou a sinalizar abertura ao diálogo, anunciando em sua rede social, Truth Social, a intenção de suspender ataques por um período inicial de duas semanas.
““Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo de dois lados!””
Na publicação, o presidente menciona o plano de dez etapas e voltou a afirmar que há conversas em andamento para “suspender tarifas e sanções” contra o Irã. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, indicou que um entendimento estaria em curso, reforçando a percepção de avanços diplomáticos, embora cercados de ambiguidades.
O cenário, no entanto, permanece instável. O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz e ameaçou romper o cessar-fogo anunciado na véspera, caso Israel não interrompa operações militares no Líbano. Teerã sustenta que a trégua inclui o território libanês, interpretação que é rejeitada pelo governo israelense.
Na manhã desta quarta-feira, um porta-voz militar de Israel emitiu novos alertas para que moradores do sul de Beirute e da cidade de Tiro deixem imediatamente suas casas para áreas consideradas mais seguras. Após o aviso, disparos em todo o território libanês resultaram em mais de 250 mortos. Em meio às incertezas sobre o cessar-fogo, o Irã declarou que “não confia” nas promessas dos Estados Unidos e que está “com o dedo no gatilho”. Nesta manhã, forças iranianas lançaram ataques contra o Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, em retaliação ao suposto bombardeio de uma refinaria no país, apesar da trégua.

