O próximo Plano Safra deve consolidar uma mudança no perfil do crédito rural no Brasil, com maior participação do mercado financeiro e das cooperativas, em um cenário de juros elevados e limitação fiscal.
A avaliação de técnicos da equipe econômica é de que o crescimento do crédito público será mais restrito, o que deve ampliar o peso de instrumentos privados no financiamento da safra.
A mudança se destaca pela abertura do modelo de distribuição dos recursos equalizados do Plano Safra para um formato concorrencial, permitindo que 25 instituições operem, em vez de depender quase exclusivamente do Banco do Brasil.
O crédito privado do agronegócio superou R$ 1,3 trilhão e avançou no mercado de capitais. O spread das operações caiu de 4,81% para 2,90%, facilitando a entrada das cooperativas de crédito.
Técnicos apontam que Sicredi, Sicoob e Cresol foram as cooperativas que mais cresceram nesse processo, com a Cresol, por exemplo, aumentando seus ativos de menos de R$ 10 bilhões para mais de R$ 50 bilhões em poucos anos.
A inadimplência baixa dessas instituições é atribuída ao atendimento individualizado e ao acompanhamento próximo do produtor, contrastando com a experiência negativa de grandes bancos, como a Caixa Econômica Federal, que enfrentou inadimplência de 30% em algumas linhas de crédito.
Os bancos privados tornaram-se mais seletivos após a Resolução 4.966 do Banco Central, que exigiu o reconhecimento antecipado de perdas esperadas nas carteiras de crédito, levando a um ajuste nos balanços.
O financiamento privado do agronegócio se manteve em R$ 1,4 trilhão em março, com instrumentos como a CPR, LCA e CRA apresentando crescimento significativo em relação ao ano anterior.
O Sistema OCB defende um programa de R$ 674 bilhões para a safra 2026/2027, com R$ 520 bilhões destinados a custeio e comercialização, R$ 154 bilhões para investimento e agroindustrialização, e R$ 27 bilhões para equalização de juros.
O desafio do próximo Plano Safra será equilibrar essa equação com a Selic elevada, buscando ampliar o volume de recursos sem aumentar proporcionalmente o gasto público.


