A Brigada Militar (BM) do Rio Grande do Sul implantou uma ferramenta inédita que utiliza algoritmos para otimizar as rotas das Patrulhas Maria da Penha em todo o estado. A expectativa é de um aumento de cerca de 20% no número de visitas a mulheres vítimas de violência doméstica.
Até então, os roteiros eram definidos manualmente com base nos endereços. A partir desta semana, a tecnologia considera fatores como proximidade e grau de risco para gerar os trajetos, visando maior efetividade. O sistema foi desenvolvido internamente e permite ampliar o número de atendimentos realizados dentro do mesmo período de trabalho, aumentando a prevenção.
A iniciativa integra o Sistema de Planejamento e Estatística (SPE), implementado em julho de 2025. “O grande objetivo da roteirização é ampliar a área de cobertura das nossas patrulhas. A roteirização dessas patrulhas, em específico, traz maior profundidade e um número maior de atendimentos”, afirma o comandante-geral da Brigada Militar, coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira.
A nova funcionalidade classifica o risco de cada vítima com um sistema de cores. Uma mulher que acabou de receber uma medida protetiva e ainda não foi visitada, por exemplo, aparece com um indicador preto, sinalizando prioridade máxima. O risco também é medido pela natureza da ocorrência registrada, como uma tentativa de feminicídio, que eleva a pontuação.
“Quanto mais tempo que ela está sem visita ou o risco dela, conforme a ferramenta vai indicando, ela vai ficando vermelha”, explica o Major PM Ademir Henz, um dos coordenadores do projeto. Segundo o coordenador estadual das Patrulhas Maria da Penha da BM, Tenente-Coronel PM Cristiano Moraes, a ferramenta permite que o operador selecione vítimas e escolas, no caso das Patrulhas Escolares, próximas no mapa para incluí-las na mesma rota, otimizando o itinerário.
“Com isso, os policiais militares podem direcionar seus esforços à finalidade do serviço, que consiste na visita e fiscalização das escolas e no acompanhamento das medidas protetivas de urgência”, completa o Tenente-Coronel PM Moraes.
A ferramenta também é usada nas Patrulhas Escolares, onde já foi observado um aumento significativo no número de visitas. O sistema permite que cada organização policial militar (OPM) crie rotas adaptadas à sua realidade, com critérios como número de alunos ou informações de inteligência.
Um projeto piloto foi realizado em Porto Alegre em 2023. Com os resultados positivos, a ferramenta foi desenvolvida ao longo de 2024 e 2025. A partir de 1º de abril, o sistema foi lançado para todos os comandos do estado. Nesta semana, a Brigada Militar iniciou o treinamento dos efetivos dos Comandos Regionais de Polícia Militar (CRPM) para a implementação imediata da ferramenta em todas as regiões do RS.

