O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo atingiu um recorde em abril de 2026, após um aumento de 45% nos últimos dois anos.
A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), localizada em Piracicaba (SP). O preço médio da carcaça casada do boi, que inclui traseiro, dianteiro e ponta de agulha, é de R$ 25,05.
Esse valor é o maior desde que o Cepea começou a realizar o levantamento em 2001. O preço atual supera em 11% o registrado em abril de 2025 e em 45% o de abril de 2024.
O pesquisador e coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, apontou dois fatores principais para o aumento do preço: a menor oferta de animais prontos para o abate e o aumento das exportações. Segundo ele, o início do ano, de janeiro a meados de abril, é um período em que os bovinos são mantidos no pasto devido às condições climáticas favoráveis.
“”Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, a gente tem volume de chuva, sol, em que eu tenho uma condição de pasto mais favorável”, disse.”
Thiago também destacou que a demanda externa tem crescido, com recordes de exportação no ano anterior. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que o Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025, em comparação a 2,9 mil toneladas em 2024.
“”Neste ano, a gente começa também a bater recorde, em janeiro, fevereiro e março e abril, sinalizando também um cenário de exportação forte”, afirmou.”
Além disso, a demanda interna por carne bovina permanece alta, mesmo diante da preocupação com a inadimplência e os gastos do orçamento familiar. Thiago afirmou que, até abril, o consumo de carne bovina se manteve relativamente positivo.
Entretanto, esses aumentos impactam os consumidores. O Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq) revelou que, em março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano, passando de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 em março.
“”As carnes bovinas de primeira e de segunda são dois produtos que têm um peso grande no nosso cálculo da cesta básica. São dois produtos importantes”, disse Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.”
Carlos também indicou que o valor deve continuar a subir nas próximas semanas e que, em momentos de alta, as pessoas tendem a substituir a carne bovina por outras proteínas, como frango, peixe e embutidos.
“”É um peso grande, mas é um peso que pode ser substituído”, afirmou Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.”

