A prefeita de Guapimirim, Marina Rocha, e mais quatro pessoas se tornaram réus em uma ação de improbidade administrativa. A ação foi movida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e investiga fraudes em licitações de serviços de saúde.
O grupo é acusado de utilizar uma empresa de fachada, a Speed Meg, para fraudar contratos. Segundo o MPRJ, há indícios de um esquema estruturado para direcionar licitações, com a empresa se tornando a principal prestadora de exames de média e alta complexidade no município ao longo de dez anos.
O documento da denúncia aponta que a Speed Meg apresenta fortes indícios de sobrepreços, causando prejuízo aos cofres públicos. A investigação revela que a empresa não possui estrutura própria ou funcionários, utilizando outras duas empresas para simular o cumprimento de exigências legais.
Entre os réus, Iram Moreno de Oliveira, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Guapimirim, é mencionado. Ele foi preso em 2013, acusado de extorquir dinheiro da prefeitura, mas foi absolvido na parte criminal. Sua filha, Mêllanie da Costa Oliveira, também é ré na ação.
Outros réus incluem Neiva Maurício da Silva Bonfante, ex-funcionária da Comissão de Licitação da prefeitura, e Philipe Gomes Pereira, servidor público responsável pelas licitações da Speed Meg. Este último é acusado de não cumprir deveres de fiscalização e de ter recebido depósitos da empresa em sua conta bancária, resultando em seu afastamento do cargo.
A prefeita Marina Rocha, no cargo desde 2020, é acusada de improbidade administrativa por não ter adotado providências após tomar ciência das irregularidades. A investigação aponta que um dos últimos editais de licitação não teve ampla publicidade, resultando na participação exclusiva da Speed Meg.
O contrato com a Speed Meg previa 78 tipos de exames e procedimentos para diagnósticos por imagem, totalizando quase R$ 9 milhões. A Justiça determinou a suspensão das atividades da empresa e deu um prazo de três meses para a prefeitura realizar nova contratação de serviços de saúde, além de bloquear R$ 8,6 milhões dos cinco réus.
A clínica Speed Meg afirmou que está à disposição das autoridades e que não houve superfaturamento em seus contratos. A empresa ainda declarou que não recebeu comunicação oficial sobre a ação e que apresentará defesa em juízo. Os cinco réus não retornaram ao pedido de posicionamento.

