O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, que o país está “pronto” para enfrentar uma possível agressão militar dos Estados Unidos. A declaração foi feita em meio à escalada de tensão com os EUA, após o presidente americano, Donald Trump, sugerir que pretende tomar a ilha.
O discurso ocorreu durante as celebrações do aniversário da Invasão da Baía dos Porcos, um episódio simbólico da resistência cubana. Diante de milhares de apoiadores em Havana, Díaz-Canel destacou que o país vive um momento “extremamente desafiador”.
““Não queremos a guerra, mas é nosso dever nos prepararmos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la”, declarou o presidente cubano, ressaltando a disposição da população em defender a soberania “custe o que custar”.”
Entre 15 e 19 de abril de 1961, cerca de 1.400 exilados cubanos, treinados pela CIA, tentaram invadir a ilha pela Baía dos Porcos, mas sem sucesso. A derrota consolidou o regime de Fidel Castro e marcou a rivalidade entre os dois países.
A fala de Díaz-Canel ocorre em um momento de pressão crescente de Washington. Nos últimos dias, Trump elevou o tom contra o regime cubano, afirmando que poderá agir diretamente contra a ilha. “Posso fazer o que quiser com Cuba”, disse o presidente americano, sugerindo que o país pode se tornar um novo foco da política externa americana.
Segundo reportagem do USA Today, o Pentágono intensificou discretamente o planejamento de cenários para uma possível operação militar, caso haja autorização da Casa Branca. As discussões incluem respostas operacionais e estratégias de contingência diante de diferentes níveis de intervenção.
A tensão aumentou desde o início do ano, quando os Estados Unidos passaram a classificar Cuba como uma “ameaça” à segurança nacional e endureceram o cerco econômico, incluindo restrições ao envio de petróleo à ilha, o que agravou a crise energética no país.
Desde seu primeiro mandato, Trump já havia revertido a política de reaproximação com Havana iniciada por Barack Obama e retomado sanções. De volta à Casa Branca, o republicano recolocou Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo e ampliou a pressão diplomática e econômica.
Entre as medidas recentes está a imposição de sanções a países que mantenham comércio de petróleo com a ilha, numa tentativa de sufocar a economia cubana. O governo americano acusa Havana de se alinhar a potências como Rússia, China e Irã, além de grupos considerados hostis aos interesses dos EUA.
Apesar da escalada, há sinais de que canais diplomáticos ainda não foram totalmente rompidos. Autoridades dos dois países reconhecem a existência de conversas preliminares para tentar conter a crise.

