O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de cometer crimes de guerra nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, após um ataque aéreo que resultou na morte de uma jornalista e deixou outra gravemente ferida no sul do país.
Salam afirmou que “alvejar jornalistas e obstruir o acesso das equipes de resgate a eles, e depois voltar a atacar essas equipes após sua chegada, constitui crimes de guerra”. Ele destacou que os ataques israelenses contra profissionais de mídia deixaram de ser “incidentes isolados” e passaram a ser “um método estabelecido que condenamos”.
A jornalista Amal Khalil, de 42 anos, repórter do jornal Al-Akhbar, foi morta na quarta-feira, 22 de abril, após um ataque aéreo atingir a casa onde ela estava abrigada com a fotojornalista Zeinab Faraj, que ficou ferida, na cidade de Tayri, no sul do Líbano.
O jornal Al-Akhbar informou no X que “nossa colega Amal Khalil, correspondente no sul do Líbano, foi morta após ser perseguida por aviões inimigos que a alvejaram em vários ataques, atingindo primeiro seu carro e depois a casa onde ela havia se refugiado”.
O Exército israelense reconheceu que seus ataques atingiram as duas profissionais, mas negou ter jornalistas como alvo. Os militares alegaram ter visto dois veículos se aproximando de uma “estrutura militar” supostamente utilizada pelo Hezbollah, grupo armado pró-Irã, de maneira “ameaçadora” e, como resposta, atacaram um dos veículos e um prédio do qual os “terroristas” haviam fugido.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, também classificou o ataque como um crime de guerra, afirmando que “Israel ataca jornalistas deliberadamente para ocultar a verdade sobre seus crimes contra o Líbano”. O ministro da Informação libanês, Paul Morcos, afirmou que “atacar jornalistas é um crime hediondo”, classificando a morte de Khalil como “uma violação flagrante do direito internacional humanitário, sobre a qual não ficaremos em silêncio”.
Segundo o Comitê Libanês para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), “a contínua obstrução das operações de resgate por Israel pode constituir um crime de guerra”. Desde o início de março, cinco jornalistas morreram no Líbano em bombardeios israelenses.
Os ataques aéreos ocorreram durante um cessar-fogo frágil entre Israel e o Líbano, que foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no início de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em apoio a Teerã. As forças israelenses responderam com ataques em larga escala em todo o território libanês e com uma invasão ao sul do país. Mais de 2.400 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou sua ofensiva e subsequente invasão do sul do país.


