No noroeste paulista, agricultores estão preparando a terra para o sorgo após a colheita da soja.
Após retirar a oleaginosa do campo, os produtores precisam decidir rapidamente o que fazer com a terra. A aposta tem sido o sorgo, uma cultura mais econômica e resistente às variações climáticas.
Na propriedade de Odair Albano, em Brejo Alegre (SP), a lavoura de sorgo ainda está no início, com pouco mais de um palmo de altura. Odair plantou há cerca de 25 dias e vê na cultura uma alternativa viável diante das dificuldades hídricas e climáticas da região.
O sorgo, que representa a chamada “safrinha”, é uma segunda chance de renda para o produtor. Assim que retira a soja, Odair entra com o sorgo para não deixar a terra parada. Ele cultiva cerca de 60 hectares de sorgo granífero, voltado à produção de grãos usados principalmente na alimentação de aves, suínos e bovinos.
A colheita do sorgo deve ocorrer em três a quatro meses, dependendo das condições climáticas. O cultivo, que antes era mais comum na safrinha, agora também ganha espaço no verão, pois o sorgo apresenta maior resistência à seca em comparação ao milho, atraindo produtores em meio às irregularidades climáticas.
A engenheira agrônoma Isabela Redigolo afirma que o avanço da cultura está ligado aos desafios recentes no campo, como o alto custo de produção, a escassez de água e as altas temperaturas. Apesar de mais resistente, ela ressalta que o sorgo não é imune às condições adversas e que a produtividade ainda depende do manejo e das chuvas.
Em Mirandópolis (SP), a paisagem é diferente. Em meio às áreas de cana-de-açúcar, uma lavoura de sorgo ocupa cerca de 900 hectares plantados em novembro, durante a safra de verão. Agora, chegou a hora da colheita.
O produtor Marco Antonio Bordin, que arrendou a área de uma usina, enfrentou desafios com as chuvas no início do plantio, que impactaram o desenvolvimento da cultura e influenciaram na escolha da espécie plantada.
Apesar dos obstáculos, a expectativa para a safra é positiva em diversas áreas da região. Contudo, um problema preocupa os produtores: a falta de estrutura para armazenamento do sorgo. A limitação de armazéns afeta diretamente a comercialização e pode reduzir o lucro.
No fim do ciclo, é no grão que o produtor vê o resultado de meses de trabalho. Diante das condições atuais, o sorgo tem se mostrado uma alternativa segura e cada vez mais presente no campo.


