Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, afirmou que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã deve ser considerado frágil e temporário. Em entrevista ao Hora H, ele destacou que o acordo foi negociado indiretamente, o que permite diferentes interpretações sobre os termos acordados.
Rudzit alertou que a crise atual pode ser vista como um ‘terceiro choque do petróleo’, evidenciando a excessiva dependência global em relação à instabilidade da região do Golfo Pérsico. ‘O mercado sabe que vai ter que achar alternativas a essa dependência excessiva ao Golfo Pérsico’, afirmou o professor.
Ele explicou que o Irã não precisa ter uma grande capacidade militar para impactar o mundo. ‘Basta o governo iraniano afirmar que pode fechar o Estreito de Ormuz, que isso causa caos no mercado internacional’, disse Rudzit.
O professor também ressaltou que um dos pontos do cessar-fogo é que o Irã continuará controlando o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo. Ele prevê que o mercado global precisará buscar alternativas, como energias renováveis e outras fontes de energia, devido à instabilidade da estrutura energética global.
Rudzit mencionou que o Irã aceitou o cessar-fogo a contragosto, após pressão da China. ‘O governo de Xi Jinping não quer que a economia global mergulhe numa recessão’, afirmou o professor, ressaltando que essa pressão torna o acordo ainda mais frágil.
O especialista também destacou que os interesses de Israel, especialmente do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, não convergem com os do governo americano. Segundo Rudzit, Israel iniciou a guerra contra o Hezbollah para eliminar sua presença no sul do Líbano, e pretende levar essa missão até o fim, especialmente após não conseguir promover a mudança de regime no Irã.

